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quinta-feira, 8 de março de 2012

Os machistas no Dia Internacional da Mulher

Reproduzo o texto abaixo por inúmeros motivos. Primeiro, achei ótimo. Segundo, estou sem tempo para escrever sobre o assunto e um pouco sem paciência, pois falo disso quase que diariamente. Finalmente, pela importância do tema. Ainda falta muito para uma sociedade mais justa, em vários sentidos.

Os machistas no Dia Internacional da Mulher

Uma chance para os homens entenderem que as palavras que acham lindas podem ser muito ofensivas. Quem sabe esses discursos entram em extinção?

Por Cynthia Semíramis [08.03.2012 10h20]

Publicado originalmente no Blog da Cynthia Semíramis, em 2008. Foto por Cintia Barenho.

Como estou cansada de todo ano ouvir discursos machistas no Dia Internacional da Mulher, este ano preferi fazer a listinha das besteiras que eu já ouvi. Tenho certeza que vocês conhecem pelo menos alguma delas. Aproveitei também para explicar o quê está de errado nessas frases ridículas, pra ajudar os moços a entenderem que as palavras que eles acham lindas podem ser muito ofensivas. Quem sabe esses discursos entram em extinção?

mulheres, vocês embelezam o mundo
esse vocês já conhecem de outros posts. É aquela pessoa “simpática” que pensa que mulheres são enfeites. Entram na mesma categoria os piegas do “uma flor para outra flor”. Pra essa pessoa, uma mulher é, na verdade, um vaso de flores gigante: enfeita a sala, não se move sozinho, precisa de alguém pra mantê-lo vivo, e é mudo.

parabéns por ser mulher
eu, hein? Esse aí pegou o bonde andando e não entendeu nada. Que tal parabenizar as mulheres por, em pouco mais de um século, terem mudado a sociedade completamente, e pra melhor? Que tal parabenizá-las por terem largado uma vida como objetos, e se tornarem sujeitos de direito? Que tal parabenizá-las por abdicarem de uma vida de inatividade política, e exigirem o direito de votar e serem votadas? Mas não… quem parabeniza a mulher por ser mulher não percebe nada disso. Pra ele, o que importa é que a mulher é a coisa mais importante do mundo. Desde que caladinha, obediente, delicada, amorosa. Ou, em outras palavras, enfeitando o ambiente, igualzinho à opinião do machista do tópico anterior.

eu adoro as mulheres, afinal, nasci de uma
quem fala essa pérola é aquela pessoa que pensa que ser mulher é igual a ser mãe. Um reducionismo impressionante! Homem pode ter profissão, pode ser solteiro, casado, ter filhos, e continua sendo homem… já mulher só é mulher se for mãe. Essa teoria só não explica como classificar alguém que não pertence ao sexo masculino, nem tem filhos.
O curioso é que, nessas horas, não existe pai: eu adoro os homens, afinal, nasci de um… O filho é só da mãe (mas quando se trata de controlar o corpo e a vida da mãe, aí o pai/”dono” aparece rapidinho…)

falta um dia do homem
tadinho, está se sentindo abandonadinho porque não tem um dia com o nome “homem”. Se ele parar de olhar pro próprio umbigo, vai perceber que todos os dias são dos homens, nem precisa de uma data oficial pra isso. São eles que ainda têm todos os privilégios na sociedade. Afinal, o homem não se torna homem só porque é pai, ele não recebe menos por ser homem, não tem menos chances no mercado de trabalho porque é homem, não é descartado porque ficou gordo, velho ou grávido, não é tratado como invasor da profissão alheia só porque é homem… Quem reclama que não tem um dia do homem é um egoísta que está chorando de barriga cheia.
Pergunte se ele quer trocar de lugar com uma mulher, assim ele vai ter um dia pra ele; você vai ouvir a resposta negativa mais escandalosa do mundo. Na verdade, ele odeia tanto as mulheres que acha que elas só servem pra ficar caladas, fazendo serviços domésticos e sexuais, e enfeitando o ambiente. Mudas, é claro, pois se reivindicarem qualquer coisa (inclusive uma data de luta), estão exagerando os problemas pra chamar a atenção. E, caso não tenham entendido ainda, só ele pode chamar a atenção…

os outros 364 dias são do homem, huahuahua
esse aí parou o cérebro na época da ditadura militar. Naquela época, todas as datas eram pra elogiar o status quo, e esconder o tanto de coisas que eram mantidas erradas à força. Com a democracia, voltamos a colocar o dedo na ferida e as datas ditas comemorativas se tornaram datas problematizadoras, pois elas dão visibilidade a questões que muitos homens querem esconder, especialmente se o assunto for sexismo. Se o homem tem orgulho de usar a força (das mãos, da lei, das armas, da religião, da mídia) para manter seu status de dominador, e ainda ri disso, é sinal que está completamente em descompasso com o mundo atual e que não respeita mulher nenhuma. É um insensível e, no mínimo, omisso em relação à violência contra as mulheres. E é triste ver alguém tão estúpido ter orgulho dessa estupidez.

pra quê um dia desses? Vocês já são iguais a nós!
esse aí não leu meu post do ano passado. Provavelmente, a última coisa que ele leu foi que a Constituição da República declarou que homens e mulheres têm direitos iguais. De lá pra cá, não leu mais jornais nem revistas, não assistiu televisão nem conversou com ninguém, pois não sabe que a igualdade de fato está longe de ser alcançada. Tivemos de fazer uma lei pra combater violência doméstica, ainda precisamos de pressão política para melhorar as condições de trabalho, saúde e educação das mulheres, e falta acabar com o sexismo em todas as suas formas. Que igualdade é essa que tem tantas distorções e necessidade de correções? Conversar com gente desatualizada é terrível… pior ainda é quando têm orgulho de estar, pelo menos, 20 anos atrasados…

o dia é de comemoração, e você vai reclamar?
outro que parou na época dos militares e acha que tudo é pra comemorar. A vida dele é uma festa, e ele não percebe que a vida das mulheres raramente é assim. A vantagem é que, querendo ou não, ele vai ter de ouvir as reclamações. Quem sabe alguma delas entra na sua cabecinha retrógrada e muda alguma coisa – pra melhor – na vida das mulheres que convivem com ele?

continue a ser essa mulher linda, doce, gentil e afetuosa que você é
aviso para as mulheres: se vocês não são lindas, doces, gentis, afetuosas nem sensíveis o tempo todo, vocês não são mulheres. Favor passarem para a categoria “inadequada”, pois não sabemos o que vocês são. Homens são homens, não importa suas características. Até os trogloditas consideram que dizer que um homem é gentil pode ser um elogio. Mas, seguindo a lógica do machista, uma mulher, quando não é gentil, deixa de ser mulher. Aí a gente volta pra aquele modelo do primeiro exemplo: mulher só é mulher quando se torna um vaso de flores gigante e mudo.
E ainda acham que estão nos parabenizando…

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fórmula do Amor

Aqui nessa casa
Já não tem mais jeito
Queremos toda a sua admiração
Com todo respeito
Não queremos joguinho
Mas muito carinho
Para sorrirmos a toa

Aqui nessa casa
Ninguém quer a sua falta de atenção
Com todo respeito
Meu caro sujeito
Que não nos falte tesão
E assim
Seguimos amando
Numa boa

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quem precisa de um cafa?

Adorei esse texto do Xico Sá de hoje.
Não muito pelo o que está escrito, mas pelo tema porque, por algum motivo, acordei pensando nisso hoje. Nas mudanças ocorridas no mundo feminino de uns tempos para cá.

Mulheres nao precisam mais de homens e seu "apoio"financeiro, grande parte das famílias brasileiras é sustentada por mulheres. Conquistamos esse espaço, apesar das grandes desigualdades que ainda persistem entre os cargos e salários.

Não precisamos de um homem para forjar companhia. Temos família, amigos, colegas e conhecidos que preenchem  o lado afetivo, emocional e corporal. Conquistamos a liberdade de estar só.

A Revolução Feminista está em curso.

E talvez isso explique o grande número de separações vindo de mulheres. As relações mudaram. O sentido mudou.

Estar (e permanecer )junto  não é mais o mesmo.Já não há mais tanta necessidade de estar junto, como um negócio,  um acordo ou uma propriedade.


O que há é a vontade de estar junto.

Só que agora em condições definidas cada vez mais pelo lado feminino. O machocentrismo vai lentamente se desfazendo, abrindo espaço para algo novo, algo que se cria nesse exato momento.
E claro que isso não é feito de uma forma suave. Eles resistem a perda do controle, fazem de tudo para manter a hegemonia através dos seus atos ainda culturalmente aceitos, mas que perdem força e sentido com o passar do tempo. Ficam ultrapassados, como os seres encatados escondidos no mar.

A Revolução Masculina está ainda distante. As novas gerações de machocêntricos ainda surgem como hordas reproduzindo os absurdos de um tempo que já passou e que alguns insistem em não perceber.

Afinal, quem precisa, nos dias de hoje, de um cafajeste?

Monopólio do pé-na-bunda

Escrito por Xico Sá
14/04/2011

As mulheres estão conquistando o monopólio do pé-na-bunda. Fato!, como dizemos, em momentos absolutistas, nas redes sociais.

De 2008 para cá, os sismógrafos conjugais do IBGE já mostraram que as fêmeas são responsáveis por 71,7% das separações não consensuais –situação em que um pombinho quer cair fora e o outro senta na margem do rio Piedra e chora.
   
Donde se conclui, definitivamente, que homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.
 
Sim,  o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto borrado da caneta-tinteiro do amor. Fato, amigo absolutista.

Às vezes o ponto final vem com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente. Sem mané reticências...

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido  prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim, seu canalha, vagagundo, cachorro.

O macho pode até fugir para comprar cigarro na esquina. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Camel sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, não trabalha com  metáforas nem cartão de crédito. Nesse sentido, paga à vista.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem no Crato...nem em Estocolmo. Nem no Beco da Facada, no Recife, nem na Chácara Flora, San Pablo.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais cool dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O que elas querem

Domingo.
Como gosto de fazer, acordo, leio várias noticias, jornais, artigos em blogs, facebook, twitter e coisa e tal. As vezes encontro coisas maravilhosas, textos interessantíssimos sobre o mundo em que vivemos, dicas culturais e tantas outras. Só que eu me deparo também com coisas absurdas, entediantes, preconceituosas e chatas. O PIG é mestre nisso. Na realidade, comecei a escrever esse blog porque achei a tal “ blogosfera” muito mais interessante do que a orkutosfera e principalmente a facebookosfesra, essa, para mim, a pior de todas. A quantidade de inutilidade e de exposição, principalmente de imagens da vida alheia, me enchia um pouco a paciência.
Hoje vi uma discussão na facebookosfera sobre a proliferação de blogs e os malefícios disso para a literatura. Confesso que me irritei um pouco, mas decidi não entrar na discussão e refletir um pouco sobre o assunto. Realmente, esse é mais um blog de, ou seja, os blogs estão se proliferando. Mas quer saber? Acho isso ótimo! Adolescentes estão escrevendo sobre a sua vida pessoal e tem gente que não se interessa por isso? Maravilha. Procure outro blog. Que bom que elas se expressam, trocam com os outros, organizam suas ideias, compartilham. Mulheres estão escrevendo sobre seus relacionamentos fracassados? Ótimo, tem gente que adora isso, se identifica, se emociona, identifica padrões de comportamentos, sei lá. A diferença na Internet é que as opções são muitas. Isso é um grande avanço. Na TV você não pode fazer isso. As opções de programas, principalmente na TV aberta, são reduzidíssimas. Passamos a vida sem poder escolher o que íamos assistir. Agora qualquer um, desde que tenha acesso a Internet, pode criar uma página e expressar suas opiniões, divulgar pesquisas, imagens, dicas, promover encontros. Acho isso ótimo, desde que  seja usado para trocar e não para ofender e coisa e tal. A literatura não vai ser afetada por isso. Ela continuará lá, tendo seu papel importantíssimo na composição de um povo, na estruturação do caráter, da língua. Muito do que é feito na blogosfera não se pretende literatura, o povo quer mesmo é se comunicar. E se você não se interessa pelo o que está escrito, não leia!
Outra coisa que chamou atenção ontem foi um dialogo curto com uma amizade dessas que você faz na rua e provavelmente não vai ver nunca mais. Chega o tal do fulano que solta a pérola: “ Tudo bem, já sei que você não vai para onde estou te convidando, estou lendo Comequirezakamá, estou entendido das mulheres!” . Achei o comentário um tanto absurdo, não entendi quem o fulano estava lendo, cheguei até a achar que era algum guro indiano e obviamente não dei muita bola.
O fulano até que quebrou um galhão, o carro não ligava de jeito nenhum e ele, naquele jeito bruto, tira a moça de dentro do carro e mexe daqui, mexe de lá, até que algo acontece. E não é que o diacho funcionou? Depois ele manda novamente o tal comentário, se achando o conhecedor do universo feminino: “estou lendo Comer, rezar e amar. Estou entendendo vocês”. Eu, mega contente com a reanimação do carro e louca para sair dali, continuei sem dar bola e ignorei mais uma vez o comentário.
Hoje, quando acordo, lendo as manchetes do PIG, vejo coisas do tipo “ atriz tal, naturalmente sensual” ou “atriz x emagrece e arrasa”. Aquela cena do dia anterior me voltou a cabeça. Até dei um crédito para o fulano, preocupado em compreender as questões femininas, mesmo discordando de suas estratégias. Continue lendo, meu caro, isso faz bem sempre.
Eu deixo uma dica para tentar sanar sua dúvida em relação as mulheres: respeito. Pratique isso, com as mulheres e com todos os seres, e assim caminharemos juntos. Cada um tem seu cada um, quer uma coisa ou outra. Mas sem respeito, não dá. Pense nisso toda vez que quiser compreender melhor as mulheres.

E quem não quiser ouvir as minhas impressões, que leia outro blog!hehe
Acho que a Aretha concorda comigo!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Novos ares, antigas questões


Lendo algumas noticias essa semana, algo me chamou atenção: a questão da mulher. Duas notícias em especial me fizeram refletir sobre a nossa condição hoje. Uma foi a chamada de um jornal qualquer dizendo que, pela primeira vez na história de uma empresa grande, uma mulher assumiu um cargo que sempre foi ocupado por um homem. A outra  foi a divulgação de um blog de estudantes, que acabaram de entrar na faculdade, jovens, sobre a condição feminina.  Ou seja, como que ainda hoje a gente celebra mulheres assumindo cargos nunca antes navegados? Me pareceu muito ultrapassado isso, mas muito real. Ainda lutamos para assumir certos cargos, ainda somos discriminadas no mercado de trabalho, ainda ganhamos menos, ainda ouvimos piadinhas inconvenientes quando atingimos determinadas posições, ainda somos cantadas sem querer, ainda muita coisa que não devia ser. Isso realmente me incomodou. E logo em seguida, o tal blog das jovens, mostra como a dominação masculina continua. Ela mantem alguns padrões antigos e novas formas vão sendo criadas. E muitas vezes a gente nem percebe, naturalizando a dominação. Assim ela se propaga, se expande e se mantém. Essas meninas mostram, mesmo parte de uma outra geração, que esse conflito permanece, e que ainda há indignação, inquietude, coisas para debater, superar, questionar. Isso por um lado me deixou contente. Constatar que não estamos alheias as novas e velhas formas de opressão masculina. E que as novas gerações vêm com tudo. O outro lado da questão é que, infelizmente, se as novas gerações ainda questionam esse espaço, essa relação, é um grande sinal de que ainda temos muito o que fazer. E que bom que tem gente no front.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Finalizando 2010

Final de ano é sempre meio assim.
Fica aquele climinha, né? Eu definitivamente continuo não vendo TV, mas sei que as "retrospectivas" estão rolando. Até tem o seu valor, principalmente quando os fatos políticos são relembrados.  Eu acabo fazendo a minha também.

E que venha 2011.
Prefiro os anos ímpares. Esse ano não fugiu a regra. Apesar de grandes conquistas, transformações, momentos incríveis, prefiro mesmo que ele acabe. Não que tudo vá mudar, num passe de mágica, com a chegada do novo ano.
O que realmente me marcou nesse ano, e mais agora com o início do blog, foi o retorno as discussões feministas. E esse ano foi repleto de fatos, tanto na vida privada, quanto na pública, que me fizeram refletir ainda mais sobre o tema. Na realidade, eu reflito mesmo é sobre o machismo. Feminismo eu não sei bem o que é. Mas entendo muito bem de machismo. Não sei se posso afirmar que toda mulher entende, só porque é mulher. Tem mulher que não entende, tem mulher que não quer entender, tem mulher que não pensa nisso. Não sei. Posso falar por mim e pela minha vivência. E confesso que fiquei muito feliz por conhecer, no universo dos blogs, pessoas que compartilham da minha visão.

Sim, nossa sociedade é machista. Muita coisa já mudou, mas os valores, os preconceito e os papéis ainda são de séculos passados. No meu caso, a desigualdade entre os sexos ficou clara em casa. Com irmão homem, mais velho, nunca entendi as diferenças nas tarefas domésticas e o tratamento diferenciado. E olha que na minha familia a mulherada ia (e vai) a luta, trabalhava, fazia movimento político e coisa e tal. Tinha um perfil um pouco mais progressista, mas em casa era a mesma ladaínha. Meninas para cá, homens para lá. Aquilo definitivamente me incomodava e desde cedo questionava minha família por isso. Cedo mesmo, 6, 7, 8 anos.
Depois, já adolescente, as cantadas canalhas na rua. Aquilo também me incomodava muito. Ficava envergonhada, me sentia invadida. Algo quase naturalizado pela sociedade, um elogio! Eu detestava. Passei a responder. Dizia para ele falar aquilo para a mãe dele, ou para a irmã, a prima ou o caralho a quatro. E, geralmente, eram homens mais velhos. Eu sempre achei aquilo doentio, fruto de uma sociedade que precisava avançar muito no respeito a mulher e a criança-adolescente. Essa tara pelos jovens, essa busca pela jovialidade são, ao meu ver, estratégias de indústrias, facilmente aceitas pela sociedade, devido aos seus valores retrógados e ao desrespeito a mulher. E claro, os homens adoram, pois não precisam fazer auto-crítica ou avaliações constantes sobre seus posicionamentos. Com mulheres críticas, reflexivas e batalhadoras do lado isso fica bem mais difícil, principalmente para quem não quer mudar.
Hoje, décadas depois, o machismo continua ali. No trabalho, na universidade, na família, nas ruas e nos relacionamentos. As  mulheres conquistaram o mercado de trabalho, algo também ótimo para os homens ( e sem dúvida alguma, para a emancipação feminina, mesmo que financeira), mas continuam sendo tratadas de forma secundária. Continua se destacando por sua beleza, sua sensualidade e seus dotes. Mas paga um dobrado para ser ouvida e respeitada.
Na política, mesmo não vendo Dilma como uma candidata das mulheres (definitvamente ela não usou isso como estratégia principal de campanha), penso que iniciamos um momento importante, na cena pública, de reflexões mais sérias sobre nossa existência, nas suas variadas formas. Torço, e lutarei, para que esse debate também venha a tona nos próximos anos. E que homens e mulheres possam viver de uma forma mais equilibrada, justa e feliz.

Que venha 2011!