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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Escola pública: crônica de uma morte anunciada


Dificilmente você sai de um dia de trabalho em uma escola pública ilesa. O exercício de dar aula não é tão simples como alguns podem pensar. Sempre escuto alguém falando que ainda quer dar aula um dia, pois tem muito conhecimento sobre um determinado assunto ou porque quer saber como seria a experiência de fazer um bem para o outro. Dar aula é mais do que transmissão de conhecimento ou vontade de fazer algum bem. Principalmente se você faz disso a sua profissão, mais do que uma experiência ou um bico.

Na atual conjuntura, a sala de aula tem sido definitivamente a melhor parte do trabalho. Claro que os problemas são muitos. Alunos que não sabem ler nem escrever no ensino médio, que acordam às 4 horas da manhã para trabalhar e emendam nos estudos, que não tem hábito de ler, que não tem dinheiro para livro( porque esses custam uma fortuna no país) e coisas do tipo. No entanto, a maior dificuldade de dar aula na rede pública tem sido dialogar com a lógica que tem regido esse sistema.

Para resumir, a lógica é a de acabar com a escola pública. Lentamente. De diversas formas. As vezes, quem está ali, no meio desse turbilhão de eventos, preocupado em dar conta da própria sobrevivência, pulando de escola em escola, não consegue perceber o que há por trás de algumas medidas. Já olhares mais atentos revelam uma realidade assustadora para o futuro da educação pública do estado do Rio de Janeiro. Ela é massacrada em grande escala, com opções políticas retrógradas em termos de investimentos e prioridades e, no seu cotidiano, ou seja, dentro da escola, é que esse modelo se revela.

Com a atual política de indicação de diretores e com a desvalorização da educação, sobra muito pouco do que se espera de um ambiente democrático dentro das escolas. As regras, previamente definidas por uma secretaria de educação burocrática, são repassadas como ordens para as escolas. Para tentar te forçar a cumprir uma ordem que você ou desconhece, ou não concorda, o governo está oferecendo uma gratificação. Ou seja, você faz o que foi mandado e no final você ganha mais um dinheiro (diga-se de passagem, uma merreca, totalmente indigno para o salário de qualquer profissional, de qualquer área). Se algum professor se recusa a fazer, muitas vezes seguindo deliberações de assembléias, legítimos espaços de representação da categoria, você é (pasmem) acusado de estar PREJUDICANDO  a escola, por não estar cumprindo uma ou outra deliberação, que, nosso entender, em nada vai ajudar na sua melhoria, que confunde as atribuições de professores com os da secretaria e que sobrecarrega os profissionais de trabalho.  A sua atenção é chamada pela direção, até numa tentativa de colocá-lo contra os seus companheiros de trabalho, como se a SUA atitude estivesse prejudicando o bom funcionamento da escola, leia-se: o recebimento da tal gratificação que está atrelado a tarefas meramente burocráticas, que muitas vezes tomam o pouco tempo do planejamento do professor para tal.

Nessas horas, você tem que manter a calma. O trabalho pedagógico passa então da sala de aula para ser direcionado a um colega de trabalho. Colega esse que se apresenta falando mal do sindicato, mal da greve e favorável a gratificações por metas. O trabalho é árduo nessas horas. Você tem que começar do começo. Desconstruir.  Mas como eu disse, dar aula não é somente transmitir conhecimento nem fazer o bem. É ter visão. Entender do processo histórico e do atual momento político criticamente, para que então, contextualizado, você possa emitir alguma opinião sobre os acontecimentos. Na base da gratificação, o nível da conversa apela para os sentidos mais mesquinhos dos seres humanos e foge da real discussão, que é a educação pública de qualidade.

 Não há nada de tão complexo nesse debate. O primeiro passo para entender o que acontece é pensar coletivamente. Se cada um pensar somente no seu, estratégia antiga do capitalismo, não tem muito avanço.Assim, você inverte a lógica do argumento. Ou seja, a sua postura individualista prejudica a educação, e não a minha de pensar no coletivo. A outra é lembrar que gratificação divide as pessoas enquanto aumento real de salário valoriza o trabalho dos educadores e profissionais da área, então não vale a pena se degladiar por isso. Terceiro, enquanto não encontrarem outro instrumento mais eficaz, a greve ainda é um recurso fundamental, garantido por lei, de pressão e organização dos trabalhadores, frente à governos alheios a uma transformação séria na Educação, então as pessoas não podem ser punidas por tal.   
Depois dessa breve explanação, o tom de ameaça mudou. Que diferença faz o saber, não é mesmo?

quarta-feira, 14 de março de 2012

É HOJE!


Plenária contra o fechamento de milhares de escolas públicas no campo e na cidade. Mesa com representantes do MST, Terra Livre, SEPE, além dos professores-pesquisadores Virgínia Fontes (Fiocruz), Roberto Leher (UFRJ), Paulo Alentejano (UERJ FFP).

Na UERJ, Auditório 13, 1o andar

terça-feira, 6 de março de 2012

Nova bonificação dos professores será para quem cumprir todas as ordens

É com bastante preocupação que transcrevo essa nota, retirada do diário oficial, retratando a política educacional do atual governador e seu secretário de educação.

Professores da rede estadual de ensino se  prepararam para exercer sua função durante anos, passam por um concurso público, escolhem fazer o que fazem pois, na maior parte das vezes, gostam do trabalho e encontram uma série de dificuldades para exercer a sua profissão. 

Quando entramos em uma sala de aula, a realidade é dura. O salário é péssimo e não condiz com as necessidades da profissão, não há uma política séria de capacitação, não há incentivo para que os professores façam cursos, pós graduações de sua vontade, mas somente as indicadas pela secretaria estadual de educação.

As condições de trabalho são péssimas. A infra-estrutura de muitas escolas é precária, como o estado dos banheiros, das salas de aula, faltam bibliotecas e bibliotecários, salas de informática e técnicos e uma equipe pedagógica séria.

O cotidiano da organização da escola é pesado. Apesar de trabalhar para uma instituição pública, professores devem seguir ordens como se estivessem trabalhando para a iniciativa privada. Não há espaço para o diálogo. Os professores e os outros profissioanis de educação das escolas devem se calar. Assim como seus diretores, que somente seguem as ordens da SEEDUC.

Essa proposta de bonificação para os professores sintetiza o caos da educação do Estado do Rio de Janeiro. E um nítido despreparo para fazer as transformações reais e necessárias para que possamos melhorar o nosso sistema de ensino.

Ela quer amedrontar via ordens que devem ser cumpridas por dinheiro.

Parece o fim, mas não é. A gente não vai desistir tão fácil assim!

Assim espero.

Bonificação por Resultados

 06/03/2012 - 10:23h - Atualizado em 06/03/2012 - 10:28h
Conheça as diretrizes para este ano

Os servidores da rede estadual de ensino devem
ficar atentos às novas diretrizes para este ano. A Secretaria de Estado de
Educação publicou, no Diário Oficial de 08 de fevereiro, a regulamentação das
regras para a Bonificação por Resultados. A medida visa promover a melhoria no
processo de ensino e aprendizagem do Sistema Educacional do Estado do Rio de
Janeiro, além de valorizar os profissionais da educação e garantir a eficiência
do ensino prestado nas unidades escolares da rede estadual. Com o cumprimento
integral das normas, o servidor poderá receber até três salários a mais.

- Fizemos os ajustes de acordo com o que
observamos no ano passado. Identificamos alguns problemas, como professores que
não lançavam nota no sistema Conexão Educação ou diretores que não informavam os
docentes com carga horária livre – explicou o secretário de Estado de Educação,
Wilson Risolia, lembrando que os benefícios já começarão a ser pagos, com base
na avaliação de 2011.

Fazem jus à Bonificação por Resultados os
servidores públicos efetivos da Seeduc, em exercício nas Regionais Pedagógicas,
Regionais Administrativas, Diretoria Especial de Unidades Escolares Prisionais e
Socioeducativas (Diesp), Coordenações de Gestão de Pessoas das Regionais e
unidades escolares de Educação Básica de Ensino Fundamental, Ensino Médio, Médio
Integrado à Educação Técnica de Nível Médio e Educação de Jovens e Adultos
presencial e os professores do Programa de Aceleração de Estudos.

Para o cálculo da Bonificação por Resultados, são
considerados o Indicador de Desempenho (ID) e o Indicador de Fluxo Escolar (IF),
atribuindo-se pesos diferenciados de acordo com o cargo/ função exercido,
conforme prevê a resolução.

No caso dos profissionais que estão lotados nas
unidades escolares, como diretores gerais e adjuntos, coordenadores pedagógicos,
orientadores educacionais, professores regentes e demais servidores, entre as
regras estabelecidas para a bonificação, estão: cumprir o Currículo Mínimo;
participar de todas as avaliações internas e externas; efetuar o lançamento das
notas dos alunos no Sistema Conexão Educação de acordo com o calendário
estipulado pela Seeduc; alcançar, no mínimo, 95% (noventa e cinco por cento) de
resultado de cada meta de Iderj do ensino regular da unidade escolar; e
alcançar, no mínimo, 80% (oitenta por cento) de resultado de cada meta de ID da
Educação de Jovens e Adultos presencial da unidade escolar.

O pagamento do bônus dos professores regentes
será proporcional à carga horária do servidor alocada no Quadro de Horários do
Sistema Conexão Educação em cada unidade de atuação que atingir a meta. O valor
varia de acordo com a função do servidor e o percentual de metas estabelecidas
que ele atingiu, sendo calculado sobre o vencimento-base do servidor. Isso pode
significar até três salários a mais em benefícios para os profissionais.

 Clique aqui e confira a Resolução na íntegra, disponível no Diário
Oficial.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E o Estado não diminuiu ou como Sérgio Cabral faz para acabar com o ensino público de qualidade

Durante anos foi assim.
O despertador toca e Rosa se levanta algumas horas antes de pegar no trabalho, já que o transporte é ruim. Ele demora para passar, as vezes não passa, vem  cheio e fica sempre mais caro, numa  velocidade bem maior que o aumento do seu salário. Chega no trabalho, o sinal toca e vem gente por todos os lados. Como num passe de mágica, tudo parece estar no seu devido lugar. Salas cheias, professores nos seus postos e o dia continua. À tarde a mesma rotina e, as vezes, à noite também. E é assim com seus pares. Uma vida bem parecida.

Tudo igual, mas diferente. Alguns anos, diferente até de mais, mas no fundo, igual a todos os outros. Só que nesse ano aconteceu com ela. Nos anteriores, com os outros. Nos próximos, quem saberá?
No primeiro dia de trabalho daquele ano, fez como sempre. Acordou e saiu, manhã e tarde num trabalho, a noite em outro.  Ao chegar no da noite, recebeu a notícia de que não havia mais alunos suficientes matriculados na escola e que muitos professores, por serem da rede pública, seriam devolvidos para a secretaria (SEEDUC), para que uma escola sem professor pudesse então recebê-los. Até aí, fez todo o sentido. Não há necessidade de manter muitos professores em escolas com poucos alunos.

Rosa, preocupada com a garantia do seu sustento logo se preocupou. Como outros, que estavam na mesma situação, quis saber o que faria dali para frente. Sabia que algo não estava certo. Não precisou muito tempo para entender que a realidade a sua frente escondia algo. Primeiro, se estamos em um país com um número elevadíssimo de analfabetos e/ou pessoas com escolaridade incompleta, então como é que as escolas estavam fechando? Segundo, a escola onde trabalha tem uma população de mais de 140 mil moradores, sem contar com os que lá trabalham. São muitas escolas, ela sabe, mas as outras escolas também estavam reduzindo turmas e devolvendo seus professores, alguns trabalhavam no mesmo lugar a mais de 5 anos. Só que na mesma semana que ela  e os outros antigos funcionários, que demoraram anos para incorporar ao seu salário algumas migalhas que esse trabalho tem como plano de carreiras, foram devolvidos, uma leva de novos concursados foi convocada. Se já com anos de rede o salário é precário, imaginem quando você entra. E esses novos concursados escolheram suas escolas quando entraram. O passe de mágica começou a ser desvendado. Os antigos, alguns próximos da aposentadoria, outros no meio do caminho como ela, representam um custo maior para o Estado, enquanto os novos, bem menos. O lugar dos mais novos foi garantido primeiro, ferindo uma tradição de que os mais antigos têm prioridade na escolha da escola, em casos como esse. A sensação que Rosa tinha é que tudo a empurrava para pedir exoneração.

E o Estado não sumiu. Pelo contrário, ao longo dos últimos anos, investiu bem mais em instrumentos de controle e de gestão desse controle do que em Educação e em seus profissionais. A greve do ano passado mostrou a insatisfação de Ana e outros em relação à política da Secretaria Estadual de Educação. Assembleias lotadas revelavam a farsa de projetos feitos por gente que pensa em números, não em cidadãos, que querem diminuir custos e não investir em Educação, que priorizam empresas conhecidas e não uma agenda de mudanças reais em um Estado onde o ensino é reconhecido por todos como decadente, apesar de todo o esforço feito dentro das escolas. Esse ano, Rosa viu o Estado se apoderar totalmente das escolas. Elas perderam sua autonomia. Tudo vem de cima, controlado por sistemas de informação totalmente burocráticos e frios.

Falando em autonomia, Rosa, que perdeu suas turmas, foi convidada para participar do Projeto Autonomia (engraçado esse nome, é uma parceria com a FUNDAÇAO ROBERTO MARINHO- sim, foi isso mesmo que você leu!) que foi implementado nas escolas. Ali tem vaga. Muitos aceitaram para não desistir do emprego, para evitar ter que trabalhar em várias escolas, em dias quebrados ou até para evitar a desistência.

Rosa voltou para casa com a sensação de que é um projeto sério de acabar com o ensino público. O que ela queria  era sentir algo bem diferente. Sabe que é urgente começar agora para colher os frutos em 20 anos.

Vai demorar, minha gente. Se continuar assim, sei não. Por agora, só temos um instrumento. Ana sentia falta da greve.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Chico é Chico


Só uma grande amiga para te colocar numa situação dessas.

Já fui muito de ir a shows, principalmente quando eles aconteciam com freqüência e pela orla carioca. Jorge Benjor, Lulu Santos, Tim Maia, Blitz, Farofa Carioca e tantos outros. De uns tempos pra cá (na minha cabeça foi quando o Circo Voador fechou para obras, mas é um marco completamente aleatório), os shows de graça ou os baratinhos e freqüentes foram substituídos por poucos shows caros.

Daí eu deixei de ir. Ora por preguiça, falta de energia para encarar grandes multidões ou por posição política mesmo. Se não pagarmos os shows caros, quem sabe eles não ficam mais baratos? Ou aumenta a pressão para um maior incentivo cultural por parte do Estado? Pensando assim já fiquei de fora de várias apresentações.

Mas na noite passada não deu! Chico estava lá. Eu iria vê-lo pela primeira vez. E que show! Tirando o Chico, que é pura luz, tinha a banda. E que banda! Muita arte aquilo lá. Cada detalhezinho de cada arranjo. Todos estavam hipnotizados com a apresentação. A iluminação e o som estavam perfeitos também.  Só uma grande amiga para me colocar ali.

O pequeno detalhe do final veio da platéia. Não sei se sou eu já com as minhas décadas de vida avançadas ou se ainda tenho algum senso de convivência social nesse Rio 40 graus. A platéia era composta por pessoas de várias idades e principalmente de muitas idosas, lindas, querendo, como todos, ouvir aquele belíssimo espetáculo.

 Já lá para o finalzinho da apresentação, uma fila se forma perto do palco, para que as pessoas, só as que estavam em pé e naquele lugar, colado ao palco, pudessem ver o grande Chico. Só que elas esqueceram que as pessoas que estavam atrás da fila então formada não poderiam ver nada com elas ali. Educadamente a organização da casa tentou explicar isso, mas foi em vão. No bis eles ficaram ali, atrapalhando a visão e o final do show.

A cena mais constrangedora foi quando Chico saiu para o bis. Essa mesma fila de gente correu para o pequeno espaço que havia entre a primeira fileira e o palco e, quando ele retornou, começou a bater fotos como se ele fosse o último mico leão dourado do Brasil. E com flash, apesar dos inúmeros avisos  para que esse mecanismo não fosse usado! Perdi as esperanças de que ele fosse voltar a tocar mais alguma coisa. Acho que ele se assustou e foi embora. O final foi lindo mesmo assim.

A saída também foi caótica. A forma mais tranqüila de sair de lá (uma casa de espetáculos no Aterro) é de taxi. Ali não passam ônibus, não tem trem, metrô, nem estacionamento certo. O jeito era pegar taxi. Só que todos fariam o mesmo e a casa estava lotada. Uma linda fila chegou a ser feita, tentaram organizar a saída daquele povo todo. Infelizmente, não deu certo! A fila não andava nunca. Os taxis já chegavam na “fila do taxi”cheios.

Aí dá uma tristezinha desse Rio de Janeiro. Será que a gente tem jeito? Ou vamos continuar nessa corrida maluca do eu quero tirar a foto do leão dourado primeiro, mesmo que seja na sua frente, atrapalhando a sua visão?  Educação, gente, educação.

domingo, 6 de novembro de 2011

Avaliações externas na educação. Por que boicotei o ENADE?

Hoje é o dia de ENADE.
Me fez lembrar quando eu passei por isso, lá perto dos anos 2000 (não me lembro bem a data). Para piorar a minha situação, eu não recebi a carta de convocação a tempo e não fiz a prova. Expliquei ao INEP o ocorrido, mas a minha solicitação foi INDEFERIDA. Isso significou a retenção do meu diploma de graduação até a realização da próxima prova (que seria realizada em um ano, acho). Não preciso dizer que a minha indignação em relação a essa política educacional (?) aumentou ainda mais.

 Eu fui forçada a fazer uma prova, na qual eu não concordava com os objetivos, métodos e fins,  meu diploma de conclusão de curso estava atrelado a ela e eu não fui convocada a tempo. Quando fui finalmente fazer a prova, entrei, colei o adesivo do boicote e saí. Para a minha surpresa, queriam me impedir de sair da sala. Alegavam que o edital só permitia a saída dos alunos após 1 hora de realização de prova e que eu seria desclassificada. Eu, com toda a minha paciência cívica, expliquei os motivos pelos quais não fiz a prova e pedi, gentilmente, que me deixassem voltar para casa (longe dali umas 2 horas).

Afinal, por que boicotei o ENADE?
O ENADE é uma avaliação das Universidades que substituiu o PROVÃO (do então ministro neoliberal da Educação, Paulo Renato). O ENADE ranqueia as instituições de ensino, resultando em incentivos as universidades que vão bem (e não as que vão mal e possivelmente precisam de algum tipo de mudança), desconsiderando a realidade de cada instituições e as suas questões reais.

Se pensarmos bem, o que essas avaliações fizeram nos últimos anos para melhorar o ensino superior? Por que não construir uma avaliação de verdade, a partir da participação efetiva das universidades, com a exposição real das suas questões? Por que não discutir abertamente as políticas voltadas para o ensino superior, como o REUNI? Fazíamos isso, via movimento estudantil, diariamente.

 Discussão semelhante pode ser feita para as avaliações externas do ensino médio. O SAERJ, prova aplicada pela Secretaria Estadual de Educação, serve não só para diagnosticar a situação do ensino, já amplamente divulgado como precário, mas faz parte também do Plano de Metas, que tem como eixo principal a meritocracia,  usando os resultados para punir ou premiar professores, estabelecendo SALÁRIOS DIFERENTES entre os eles. E desde quando isso é uma política séria de melhoria da educação?

Não sou contra avaliações. Questiono sempre seus objetivos. Desconfio todas as vezes que elas são concebidas e implementadas de formas centralizadas, sem consulta aos que estão nas unidades de ensino. Não vi, nos últimos  anos, apesar de todas as avaliações, muitos paços em direção a melhoras significativas no ensino superior, nem no médio. Pelo contrário, a situação de precarização do trabalho e das condições em geral se deterioram.

Perdemos tempo com tudo isso. Uma avaliação séria deve ser feita para o ensino em geral, em todos os seus níveis,  visando não só a  universalização, mas a qualidade. Para isso, precisamos de mais investimento (10% do PIB para Educação Já) e dar mais autonomia as redes de ensino, para que elas possam mostrar e debater as reais dificuldades que enfrentam. E não o inverso.

Estamos longe disso.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Assembleia decide: a greve continua 3/08/2011

Em assembleia na Fundição Progresso, na Lapa, os profissionais de educação das escolas estaduais decidiram continuar a greve. Na assembleia, a categoria considerou insatisfatórias as propostas do governador Cabral enviadas à Alerj esta semana. A categoria também decidiu manter o acampamento em frente à Seeduc; nova assembleia será feita na terça-feira, dia 9, às 14h, nas escadarias da Alerj.

Em reunião com a direção do Sepe na segunda (dia 1), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Paulo Mello, afirmou aos diretores do sindicato que "vai interceder pessoalmente para melhorar a proposta. O governador dividiu suas propostas em duas mensagens: a Mensagem nº 34 do governador tem os seguintes itens: antecipa a parcela 2012 do Nova Escola para os professores, incorpora na totalidade a gratificação Nova Escola para os funcionários (retroativo a julho), reajusta em 3,5% os salários dos professores (pagamento em setembro) e descongela o Plano de Carreira (Lei nº 1348) dos funcionários, passando o piso para o salário mínimo. Já a mensagem nº 35 cria o cargo de Professor de 30 horas, já com a adaptação às regras federais (20 tempos em sala e 10 de estudo e planejamento).

Entre as principais reivindicações da categoria está a incorporação imediata da gratificação Nova Escola, pois qualquer reajuste linear feito sem essa incorporação total é uma antecipação menor disfarçada, como ocorre agora com a proposta do governo: como os profissionais de educação terão pendentes parcelas da incorporação da gratificação Nova Escola até 2014, mesmo com os 3,5% propostos pelo governo e aplicados em 2011, os valores dos salários de 2012 a 2014 continuarão os mesmos de antes deste pequeno reajuste, como a própria tabela do governo mostra. Repare na tabela que o Sepe disponibiliza no site que o valor final do Nova Escola, em 2014, no nível 3, por exemplo (e em todos os níveis), continua igual (R$ 954,11), mesmo com o reajuste de 3,5% em 2011 - clique aqui para ver a tabela do Sepe, que também simula 3,5% de reajuste no valor total do Nova Escola.

Como a tabela comprova, o reajuste de 3,5% incide apenas no salário de 2011 dos professores, já que os valores divulgados pelo governo dos salários de 2012 a 2014, quando terminaria a incorporação do Nova Escola, continuam os mesmo de antes do reajuste! Assim, o que o governo chama de "reajuste" em 2011 é, na verdade, uma pequena antecipação. Cabe ao governo do estado explicar melhor sua proposta


http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=2373

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Professores em greve no Rio de Janeiro continuam acampados

 

Os trabalhadores da educação do Rio de Janeiro têm dado um exemplo de resistência a um modelo político que desconsidera totalmente a educação pública e de qualidade. Pararam e estão acampados na porta da secretaria de educação exigindo uma negociação digna.

É como se não desse mais para aguentar. 
A precarização do trabalho está atingindo níveis realmente intoleráveis. 

O que mais assusta é que estamos no fundo do poço na rede estadual. Quando entrei como professora da rede, fiquei realmente impressionada com a força dos que movimentam aqueles espaços, as escolas. É nítido que o que tem sido feito pelos órgãos governamentais, tem como claro objetivo acabar com a educação de qualidade para o povo. E que você desista, de diversas formas, trocando a rede por um outro trabalho ou fazendo o mínimo possível ali dentro para não acabar com o pouco de energia que te sobrou de uma semana inteira de trabalho em diferentes lugares.
Mas a gente não desistiu e está aí mostrando que a educação tem que ser prioridade. E sem a valorização dos seus trabalhadores, a gente não avança. Tem que começar por aí. E esse governo mostra a cada dia que a educação não é a sua prioridade. Fora Sérgio Cabral!

domingo, 24 de julho de 2011

Escola não é fábrica, aluno não é mercadoria e educação não é negócio

Essas três frases resumem bem parte da realidade da Educação no estado do Rio de Janeiro. Refletir sobre elas pode trazer um melhor entendimento do que tem acontecido hoje nas nossas escolas públicas.

Quando dizemos que a escola não é fábrica, a crítica recai sobre a lógica produtivista por trás das medidas que norteiam a educação, como o atual Plano de Metas do Governo do Estado do Rio de Janeiro, tão criticado pelos profissionais da educação. Para mais informações sobre ele, sugiro a leitura do texto
http://www.uff.br/observatoriojovem/materia/plano-de-metas-da-educa%C3%A7%C3%A3o-do-rio-de-janeiro-do-economicismo-ao-cinismo

Mas vai além. São vários os sentidos dessa frase.

Ela definitivamente não é usada para criticar o ofício do operário em uma fábrica, mas a sua condição de alienação no trabalho devido às condições impostas pela acumulação do capital a partir da extração de mais valia do trabalhador. Ou seja, professores (assim como os operários) são submetidos a longas jornadas de trabalho, que podem ser repetitivas, devido a quantidade de alunos e turmas (imaginem corrigir provas/ trabalhos/ avaliações de 400 alunos por bimestre e ao mesmo tempo preparar aula e dar aula em diversas escolas?) e, pela falta de tempo, dissociam o trabalho cotidiano de uma reflexão sobre sua prática para garantir sua sobrevivência. Sua hora-aula é baixíssima. Isso garante menos investimento em educação por parte dos governos, e mais gastos em obras desnecessárias, por exemplo. A lógica da fábrica capitalista é produzir mais por menos. Escola é outra coisa.

ALUNO NÃO É MERCADORIA
Assim, o aluno se torna uma mercadoria (a mercadoria é um produto do trabalho) e não é visto como gente, que tem, no seu processo de formação, necessidades e especificidades diferentes da produção de uma televisão, geladeira ou cadeira. Ele é visto como um número, uma meta.

Para a secretaria de educação, a preocupação são os números, principalmente os índices que medem a qualidade da educação, como o IDEB. Assim, todas as tentativas de mudança do sistema educacional são em vão, pois desconsideram as opiniões e reinvidicações dos profissionais de educação. Educação de qualidade para todos não faz parte dos Planos desse governo, principalmente porque um plano para dar certo, tem que ser construído coletivamente. E não é isso que vem acontecendo.
Ou seja, o fetichismo da mercadoria de Marx, que corresponde a tentarmos ir além da aparência do momento da troca de mercadorias, e passarmos para o processo da sua produção para entender o que há por trás da mercadoria, pode ser um paralelo para refletir sobre o fetichismo das notas.

Atualmente, o governo tenta culpar professores pelas baixas notas dos alunos. Seu plano é o de incentivar o “bom professor”, dando a ele um salário diferenciado (como já acontecia com o Nova Escola), estabelecendo metas por escola. Para quem lida diretamente nas escolas, fica mais do que claro que a educação não vai mal por causa dos professores, mas sim, pelas as condições em que esses profissionais trabalham.

PROFESSOR TAMBÉM NÃO É MERCADORIA
O professor, que tem sua força de trabalho vendida, como todos os outros trabalhadores, tem sido duramente penalizado nos últimos anos. O valor da sua força de trabalho é determinado, como o de qualquer outra mercadoria, pelo tempo de trabalho necessário a sua reprodução e, para manter-se, precisa de certa soma de meios de subsistência (já dizia o bom e velho Marx). Ou seja, se Rio de Janeiro tem aparecido na mídia local e internacional como uma das cidades mais caras do mundo para se viver, isso significa que a soma dos meios de subsistência aumentou! Tem ficado mais cara a reprodução do trabalhador nessa cidade. Soma-se a isso, o crescimento da economia local, o que mostra que os salários devem e podem aumentar, uma vez que há verba para isso. Falta um plano sério para a Educação, que passa também pela valorização dos seus profissionais.

EDUCAÇÃO NÃO É NEGÓCIO
Não é algo que deve ser produzido pensando em fazer lucro, na produtividade, na concorrência e eficiência. Não deve ser pensada apenas através da lógica do custo- benefício, mas sim, na emancipação. Deve fazer parte de um projeto de nação que priorize a vida, a cooperação, o coletivo e a superação das nossas violentas desigualdades sociais. Acima de tudo, educação é um direito.

Infelizmente, o Estado está tomado pela lógica dos negócios. Enquanto for assim, é luta de classes, não tem jeito. E a greve é um dos instrumentos legítimos dessa luta. Estamos nela e vamos até o fim.

Pela valorização dos profissionais da educação e por transformações significativas na nossa condição atual.

Um projeto de nação mais justa passa pela valorização da educação.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Assembleia, ato e acampamento na ALERJ 12/07

É isso.

Momento decisivo para a mobilização dos profissionais da educação. Amanhã tem ato, assembleia e depois vigilia na ALERJ. Que a gente consiga trazer a educação para o centro de um projeto de nação novamente. Até amanhã.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Manifesto em apoio aos professores em greve

 Por Eliomar Coelho, vereador do RJ

http://www.eliomar.com.br/2011/06/27/manifesto-em-apoio-aos-professores-em-greve/

Após infrutíferas tentativas de negociação, que se arrastam por anos, os profissionais da educação do Estado do Rio de Janeiro, em concorrida Assembléia, realizada no dia 7 de junho de 2011, decidiram deflagrar greve. Atualmente, um professor graduado recebe R$ 750,00 brutos e um funcionário tem piso de 433,00. Somente em 2011, 2,4 mil professores pediram exoneração por completa falta de perspectiva de valorização profissional. A questão afeta a formação de novos professores nas universidades, pois, concretamente, muitos avaliam que a opção pela educação pública implica privações econômicas insuportáveis. As principais reivindicações da greve objetivam criar um patamar mínimo para que a escola pública estadual possa ser reconstruída: reajuste de 26%, incorporação da gratificação do “Nova Escola”, liberação de 1/3 da jornada de trabalho para preparação de aulas, atendimento a estudantes, participação em reuniões etc., eleições diretas nas escolas e melhoria da infraestrutura geral da rede.
Compreendemos que a greve não é episódica e conjuntural. Ao contrário, está inscrita em um escopo muito mais amplo: objetiva sensibilizar a sociedade brasileira para uma das mais cruciais questões políticas não resolvidas da formação social brasileira: o reduzido montante de recursos estatais para a educação pública acarretando um quadro de sucateamento da rede pública e a paulatina transferência de atribuições do Estado para o mercado, por meio de parcerias público-privadas.
Interesses particularistas de sindicatos patronais, de corporações da mídia, do agronegócio e, sobretudo, do setor financeiro arvoram-se o direito de educar a juventude brasileira. Para montar máquinas partidárias, diversos governos abrem as escolas à uma miríade de seitas religiosas retrocedendo no valor da escola laica.
Estamos cientes de que não é um exagero afirmar que o futuro da escola pública está em questão. A luta dos trabalhadores da educação do Rio de Janeiro é generosa, resgata valores fundacionais para uma sociedade democrática e, por isso, nos solidarizamos, fortemente, com a luta em curso. Os recursos existem, desde que a educação seja uma prioridade. Por isso, instamos o governador Sérgio Cabral a negociar de modo verdadeiro com o SEPE, objetivando resolver a referida agenda mínima e a restabelecer o diálogo com os educadores comprometidos com a educação pública, não mercantil, capaz de contribuir para a formação integral das crianças e dos jovens do Estado do Rio de Janeiro.

Assine  aqui  a petição manifesto em defesa da educação pública e em solidariedade a luta dos profissionais de educação do Rio de Janeiro

quarta-feira, 30 de março de 2011

Momento Fricção – Encontro de classe


Trabalhar no Estado é assim.
É ouvir que antes era melhor.
 Que seu trabalho era mais valorizado.
Tem dias que você chega e logo recebe uma notícia estranha, como hoje, que correu um boato, antigo até, de que o tempo de trabalho dos professores aumentaria, pelo mesmo salário.
Nesse mesmo Estado você vê pessoas se indignando e pessoas conformando.
Alunos interessados, outros cansados e alguns nem ligando.
Mas é sempre uma surpresa. No Estado é assim.

Talvez por isso essa instituição ainda sobreviva, apesar de tantos esforços dos sucessivos governos em acabar com ela.
Tem aulas que você ensina.
Em muitas outras, se surpreende, aprende e deixa rolar.
Aprende.
No Estado é assim, um mundo a sua frente.
 Educação popular.

Educação pública, gratuita e de qualidade.
 No Estado é assim.
 O público e o de qualidade têm significados diversos, opostos, divergentes.
Respeito aos saberes, politização, números, propaganda, gastos.
No Estado é assim.

 Espaço de troca. De respeito, de anarquia, de democracia e contradição.
Cada dia um aprendizado.
 Cada dia uma luta. Deles. Nosso. Da gente.
De refletir sobre as relações, conteúdos, ações.
Professores com péssimas condições de trabalho. Alunos também.
Um encontro de pessoas com péssimas condições de trabalho.
Trabalhadores. Encontro de classe.

Tem dias que  a aula é deles. Eles dão aula.
Verdadeiro seminário sobre a vida. De ontem, hoje e provavelmente do amanhã.
 No Estado é assim.
 Faz tudo mudar.
 Mas nada muda.

Escolas estaduais e municipais vão parar no dia 31 de março - dia estadual de luta terá passeata no Centro do Rio de Janeiro

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Assembleia dos professores da rede estadual – lançamento da campanha salarial 2011

10 da manhã, centro da cidade do Rio de Janeiro. Auditório lentamente enche até ficar lotado. Lá fora, uns 40 graus, céu azul.

Infelizmente, contribuo pouco para o movimento sindical dos professores. Acompanho as deliberações, leio boletins, discuto com professores, alunos e diretores as questões do momento, mas vou poucos nas assembléias e atos. Só quando acontecem aos sábados. Mas é durante a semana que o bicho pega, claro, assim chama mais atenção da população, mas os horários são incompatíveis para um professor do Estado. Contraditório? Claro. Os professores, como todos devem saber, cumprem horários em diferentes escolas.
Claro que tenho minhas queixas em relação ao sindicato, mas elas são pequenas perto do trabalho que eles realizam. Se eu queria que eles fizessem mais? Certamente. Assim como eu gostaria de me dar mais. É o que dá. E com o que dá, eles fazem um trabalho digno. Essa assembléia foi uma das mais interessantes que eu já freqüentei. Pela primeira vez vi a direção central do sindicato e os participantes da assembleia argumentando para além dos chavões políticos da luta entre capital x trabalho. Esse discurso é ótimo e necessário, mas jamais avançaremos somente com ele. E têm as brigas internas chatérrimas, as divisões partidárias, as discussões infundadas que afastam o professor e outras parcelas da sociedade da discussão sindical. As vezes cai num jogo perigoso e egocêntrico, como muitos outros movimentos políticos, onde as pessoas estão mais preocupadas com a retórica e o convencimento do público do que com as próprias propostas e suas reais transformações na sociedade. Hoje vi argumentos claros e convincentes sobre a política do governo Sérgio Cabral, em como ele é competente no quesito arrochar o salário do funcionalismo público e nas verbas para a educação e como a secretaria estadual de educação e seu secretario tratam o sindicato. Pelas declarações do novo secretário, já estava mais do que claro que era alguém completamente despreparado para levar um projeto de educação pública de qualidade para frente. Depois de ouvir relatos sobre a reunião dele com a direção do sindicato, isso ficou ainda mais evidente. O problema é que temos um governo com apoio popular, que ganhou no primeiro turno com ampla maioria. Apontar suas contradições e dialogar com a sociedade é fundamental. Há uma política clara de desvalorização da educação pública. Será que os filhos do Cabral estudam em escolas estaduais?
Vi as deliberações da assembleia agora.http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=1685
Nada alem do esperado. Paralisação, reajuste, e fórum de luta em defesa da universidade pública. O que chama atenção é ainda o dirigismo das direções. Como não temos uma estrutura política democrática, na sociedade como um todo, os movimentos políticos tendem a ser centralizadores. Isso ficou muito claro na assemblia de hoje. A direção central fazendo de tudo para que cada detalhe da assembleia não fugisse do controle, que sempre tivesse alguém para fazer alguma intervenção dentre as falas do público, professores e funcionários, presente. As resoluções refletem o controle da direção central sobre a assembleia. E reflete o nosso despreparo político. Ao menos temos direções minimamente sensatas e na luta. Falta perna, falta gente. São muitos os motivos. Um deles passa pela própria estrutura do sindicato e pela dificuldade de organização da sociedade.
O Egito foi lembrado algumas vezes. Pela primeira vez achei que não era retórica. Pensei e me emocionei com a possibilidade de uma ampla mobilização popular. Mas mobilização que não pode parar depois de algumas manifestações, tem que fazer parte do cotidiano das pessoas. E disso estamos longe. E por isso movimento sindical fraco. E por isso o pouco que acontece emociona.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Indicador de qualidade: trânsito.

Estudando para concursos nesse final de ano, analisei com As Amigas alguns indicadores sociais, como o IDH. Hoje, na estrada, voltando do Natal em família, sempre cheio de surpresas, energético e revigorante, fiquei indignada com o comportamento das pessoas no trânisto. Definitivamente, isso é um indicador de qualidade. Claro que não é fácil  medir e tem tantos outros muito mais práticos do que esse, mas que dá para você ter uma noção do caos que você vive, isso dá. É, em parte, um indicador subjetivo.E claro, tem o número de acidentes e mortes, assustadoramente alto nas estradas brasileiras.
Basicamente, para dirigir você precisa de coordenação motora, entender o que cada coisa ali faz, saber as regras de trânsito mas, principalmente, ter EDUCAÇÃO e respeito ao próximo. Ai, ai. E como isso falta!
Regra básica: não ultrapasse pela direita! Tem um murrinha na pista da esquerda?  Paciência, chapa. Pisca o farol, dá uma buzinada de leve e sei lá mais o que. Jamais, JAMAIS, ultrapasse pela direita. Por que? É perigoso, coloca a sua vida e a dos outros em risco. Tirando que você passa por muito mané! Murrinha uma hora sai, espere alguns segundos. Sei, você tem muita pressa, é um ser muito importante, mas não coloque a minha vida em risco. Eu posso estar atrás quando ele decidir ir para a esquerda enquanto você estiver na sua ultrapassagem de alto risco.
Outra regra básica: não adianta ficar cortando todo mundo quando o fluxo está intenso. O fluxo está INTENSO, sacou? Tem muita gente na pista. Aceite que você faz parte dessa muita gente na pista e faça sua parte, fique tranquilo na sua, desacelere um pouco. Você vai contribuir com a fluidez do trânsito. Fique numa pista e vá, firme e forte, um pouco mais devagar, e sempre. Todos agradecem. Quer correr, fazer manobra, ultrapassar em zig zag? Aluga um kart de vez em quando!

E claro, dar seta, avisar o que está fazendo, dar vez, passagem, agradecer. Essas coisas básicas que a gente faz fora do carro e que são necessárias quando você divide o mesmo espaço com outros, sabe?
É como eu sempre digo: comece por você.

Ah, fiquei irada com os pedágios também, mas isso eu deixo para outro dia.


Estrada dá pano para manga!