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terça-feira, 10 de julho de 2012

A Revolta da Burguesia Assalariada


Slavoj Žižek, no London Review of Books, traduzido por Heloisa Villela

Como foi que Bill Gates se tornou o homem mais rico dos Estados Unidos? A riqueza dele não tem nada a ver com a Microsoft produzir bons programas a preços mais baixos que a competição, ou com ‘explorar’ seus trabalhadores com mais sucesso (a Microsoft paga um salário relativamente alto a seus trabalhadores intelectuais). Milhões de pessoas ainda compram programas da Microsoft porque a Microsoft se impôs quase como um padrão universal, praticamente monopolizando o mercado, como uma personificação do que Marx chamou de “intelecto geral”, com o que ele quis dizer conhecimento coletivo em todas as suas formas, da Ciência ao conhecimento prático. Gates privatizou eficazmente parte do intelecto geral e ficou rico ao se apropriar do aluguel deste intelecto.
A possibilidade de privatização do intelecto geral é algo que Marx nunca previu nos seus escritos a respeito do capitalismo (em grande parte porque ele negligenciou a dimensão social do capitalismo). Ainda assim, isso está no centro da luta atual sobre propriedade intelectual: na medida em que o papel do intelecto geral – baseado no conhecimento coletivo e na cooperação social – aumenta no capitalismo pós-industrial, a riqueza se acumula de forma desproporcional no trabalho gasto na sua produção. O resultado não é, como Marx parecia esperar, a autodissolução do capitalismo, mas a gradual transformação do lucro gerado pela exploração do trabalho em renda apropriada através da privatização do conhecimento.

O mesmo vale para os recursos naturais, cuja exploração é uma das principais fontes de renda do mundo. Existe uma luta permanente sobre quem fica com essa renda: os cidadãos do Terceiro Mundo ou as corporações ocidentais. É irônico que ao explicar a diferença entre trabalho (que produz valor excedente) e outras commodities (que consomem todo seu valor no uso), Marx tenha dado como exemplo o petróleo, uma commodity ‘ordinária’. Hoje, qualquer tentativa de ligar as flutuações do preço do petróleo às oscilações de seu custo de produção ou ao preço da exploração do trabalho não faria o menor sentido: o custo de produção é insignificante como proporção do preço que pagamos pelo petróleo, preço que na realidade é a renda que os donos do recurso podem extrair graças à oferta limitada de petróleo.

A consequência do aumento de produtividade causado pelo crescimento exponencial do conhecimento coletivo é uma mudança no papel do desemprego. É o próprio sucesso do capitalismo (maior eficiência, aumento de produtividade, etc.) que produz desemprego, tornando mais e mais trabalhadores inúteis: o que deveria ser uma bênção – menor necessidade de trabalho pesado – se torna uma maldição.
Ou, para explicar de outra maneira, a oportunidade de ser explorado em um emprego de longo prazo agora é experimentada como um privilégio.

O mercado mundial, como disse Fredric Jameson, é “um espaço onde todo mundo já foi um trabalhador produtivo e no qual o trabalho começou, em toda parte, a se precificar fora do sistema”. No atual processo de globalização capitalista, a categoria dos desempregados não se limita mais ao “exército industrial de reserva” de Marx; ela também inclui, como nota Jameson, “essas massas populacionais do mundo que ‘despencaram da história’, que foram deliberadamente excluídas dos projetos modernizadores do Primeiro Mundo capitalista e descartadas como casos terminais ou sem esperança: os chamados estados falidos (Congo, Somália), vítimas da fome ou de desastres ecológicos, os que caíram na armadilha pseudo-arcaica dos ‘ódios étnicos’, objetos da filantropia ou das ONGs ou alvos da guerra ao terror”.

A categoria dos desempregados foi, assim, expandida para incluir uma vasta esfera de pessoas, dos desempregados temporariamente aos que não podem mais conseguir emprego e estão permanentemente desempregados, aos habitantes de guetos e favelas (quase todos esses descartados por Marx como parte do lumpemproletariado), e finalmente todas as populações e estados excluídos do processo capitalista global, como os espaços vazios de mapas antigos.

Alguns dizem que esta nova forma de capitalismo oferece novas possibilidades de emancipação. Essa é a tese de “Multitude”, de Hardt e Negri, que tenta radicalizar Marx, afirmando que se nós simplesmente cortarmos a cabeça do capitalismo, teremos o socialismo. Marx, eles argumentam, estava limitado historicamente: ele pensou em termos de trabalho industrial centralizado, automatizado e organizado hierarquicamente. Como resultado, entendeu o “intelecto geral” como algo semelhante à agência de planejamento central; somente hoje, com o surgimento do “trabalho não-material”, uma mudança revolucionária se tornou “objetivamente possível”.
Esse trabalho não-material se estende entre dois polos:  do trabalho intelectual (a produção de ideias, textos, programas de computador, etc.) a trabalhos afetivos (desempenhados por médicos, babás e comissários de bordo). Hoje, o trabalho não-material é hegemônico, no sentido com que Marx proclamou, no capitalismo do século 19, que a produção industrial em larga escala era hegemônica: ele se impõe não através da força dos números, mas por desempenhar um papel-chave, emblemático de toda a estrutura.

O que emerge é um vasto novo domínio chamado de “commons”: conhecimento compartilhado e novas formas de comunicação e de cooperação. Os produtos da produção não-material não são objetos, mas novas relações sociais e interpessoais; a produção não-material é biopolítica, é a produção da vida social.
Hardt e Negri descrevem aqui o processo que os atuais ideólogos do capitalismo pós-moderno celebram como a passagem da produção material para a simbólica, da lógica da hierarquia centralizadora para a lógica da auto-organização e da cooperação multicentralizada.

A diferença é que Hardt e Negri são fiéis a Marx: eles tentam provar que ele estava certo, que o surgimento do intelecto geral é, a longo prazo, incompatível com o capitalismo. Os ideólogos do capitalismo pós-moderno afirmam exatamente o oposto: a teoria marxista (e a prática), argumentam, continua limitada pela lógica hierárquica do controle centralizado do estado e por isso não consegue lidar com os efeitos sociais da revolução da informação.

Existem boas razões empíricas sustentando o argumento deles: o que de fato arruinou os regimes comunistas foi sua incapacidade de se acomodar à nova lógica social sustentada pela revolução da informação. Eles tentaram dirigir a revolução, fazer dela mais um projeto em grande escala de um governo centralizado. O paradoxo é que o que Hardt e Negri celebram como uma oportunidade única para derrubar o capitalismo é comemorado pelos ideólogos da revolução da informação como o surgimento de um capitalismo novo, sem ‘fricção’.

A análise de Hardt e Negri tem alguns pontos fracos, o que nos ajuda a entender como o capitalismo tem conseguido sobreviver ao que deveria ser (em termos marxistas clássicos) uma nova organização da produção que o tornaria obsoleto. Os dois subestimaram a extensão do sucesso do capitalismo de hoje (ao menos no curto prazo) na privatização do intelecto geral, além de subestimarem a dimensão de como os trabalhadores, mais do que a própria burguesia, estão se tornando supérfluos (com um número cada vez maior de trabalhadores se tornando não apenas desempregados temporários, mas estruturalmente não-empregáveis).

Se o capitalismo antigo idealmente envolvia o empresário que investia (o seu ou emprestado) dinheiro na produção, que ele organizava e geria, e depois tirava lucro disso, um novo tipo ideal está surgindo hoje: não mais o empresário que é dono de sua companhia, mas um administrador especializado (ou um conselho de administração presidido por um CEO), que governa a empresa de propriedade dos bancos (também geridos por administradores, que não são donos do banco) ou investidores diversos.  Neste novo tipo de capitalismo ideal, a velha burguesia, tornada desfuncional, é reciclada como gerenciadora assalariada: os membros da nova burguesia recebem salários, e mesmo quando são donos de parte da empresa, ganham ações como parte de sua remuneração (“bônus” pelo seu “sucesso”).

Essa nova burguesia ainda se apropria da mais-valia, mas no formato (mistificado) do assim chamado “superávit salarial”: eles recebem bem mais que o “salário mínimo” do proletariado (quase sempre um ponto mítico de referência, cujo único exemplo real na economia global de hoje é o salário dos trabalhadores na indústria têxtil da China ou da Indonésia), e é esta distinção em relação proletário comum que determina o status da nova burguesia.

A burguesia no sentido clássico, assim, tende a desaparecer: capitalistas reaparecem como um subsetor de trabalhadores assalariados, como administradores qualificados para ganhar mais pela virtude de sua competência (por isso a avaliação pseudocientífica é crucial: ela legitima as disparidades).  Longe de se limitar aos administradores, a categoria de trabalhadores que ganha superávits salariais se estende a todo tipo de especialista, administradores, servidores públicos, médicos, advogados, jornalistas, intelectuais e artistas. O superávit assume duas formas: mais dinheiro (para gerentes, etc.), mas também menos trabalho e mais tempo livre (para – alguns – intelectuais, mas também para administradores do estado, etc.).

O processo de avaliação usado para decidir quais trabalhadores devem receber superávit salarial é um mecanismo arbitrário de poder e ideologia, sem conexão séria com a verdadeira competência; o superávit salarial existe não por razões econômicas, mas políticas: para manter uma “classe média” e preservar a estabilidade social.
A arbitrariedade na determinação da hierarquia social não é um erro, mas objetivo do sistema, com papel análogo ao da arbitrariedade no ‘sucesso de mercado’.

A violência não ameaça explodir quando existe muita contingência no espaço social, mas quando se tenta eliminar a contingência. Em “La Marque du sacré”, Jean-Pierre Dupuy trata a hierarquia como um dos quatro procedimentos (“dispositivos simbólicos”) que têm como função tornar não humilhante a relação de superioridade: a própria hierarquia (uma ordem imposta externamente que me permite experimentar meu status social mais baixo de forma independente do meu valor inerente); desmistificação (o procedimento ideológico que demonstra que a sociedade não é uma meritocracia, mas o produto de disputas sociais objetivas, que me permite evitar a conclusão dolorosa de que a superioridade de alguém sobre mim é resultado dos méritos e realizações do outro); contingência (mecanismo parecido, através do qual entendemos que nossa posição na escala social depende de uma loteria natural e social; os sortudos nascem com os genes certos, em famílias ricas); e complexidade (forças incontroláveis têm consequências imprevisíveis; por exemplo, a mão invisível do mercado pode me levar ao fracasso e o meu vizinho ao sucesso, mesmo que eu trabalhe muito mais e seja bem mais inteligente).

Ao contrário do que parece, esses mecanismos não contestam ou ameaçam a hierarquia, mas a tornam mais palatável, já que “o que dispara o tumulto da inveja é a ideia de que o outro não merece a sorte que tem e não a ideia oposta – a única que se pode expressar abertamente”. Dupuy tira desta premissa a conclusão de que é um grande erro pensar que uma sociedade razoavelmente justa, que se enxerga como justa, estará livre de ressentimento: pelo contrário, é nessas sociedades que aqueles que ocupam as posições inferiores encontrarão nas explosões violentas de ressentimento um veículo para seu orgulho ferido.

Isso está conectado ao impasse que a China enfrenta hoje: o ideal das reformas de Deng era introduzir o capitalismo sem uma burguesia (já que ela formaria a nova classe dominante); agora, porém, os líderes da China estão descobrindo dolorosamente que o capitalismo sem uma hierarquia estabelecida, possibilitada pela existência de uma burguesia, gera instabilidade permanente. Então, que caminho a China seguirá?

Os ex-comunistas estão emergindo como os administradores mais eficientes do capitalismo porque sua inimizade histórica com a burguesia como classe casa perfeitamente com a tendência atual do capitalismo de se tornar um capitalismo administrativo, sem burguesia – nos dois casos, como Stalin disse faz tempo, “os quadros decidem tudo”. (Uma diferença interessante entre a China e a Rússia de hoje: na Rússia, os professores universitários têm salários ridiculamente baixos – eles já são, de fato, parte do proletariado – enquanto na China recebem um superávit salarial confortável para garantir sua docilidade).
A noção de superávit salarial também coloca sob nova ótica os constantes protestos “anticapitalistas”.  Em momentos de crise, o candidato óbvio para apertar o cinto são as classes mais baixas da burguesia assalariada: protestos políticos são seus únicos recursos se quiserem evitar se juntar ao proletariado.
Apesar de seus protestos serem, nominalmente, dirigidos contra a lógica brutal do mercado, elas estão protestando, de fato, contra a erosão gradual de sua posição econômica privilegiada (politicamente).
Em “Atlas Shrugged”, Ayn Rand tem a fantasia de fazer greve contra capitalistas “criativos”, uma fantasia que encontra realização pervertida nas greves de hoje, quase todas sustentadas por “burguesias assalariadas” movidas pelo medo de perder o superávit salarial. Esses não são protestos proletários, mas protestos contra a ameaça de ser reduzido a proletariado.

Quem tem coragem de entrar em greve hoje, quando ter um salário fixo é, em si mesmo, um privilégio? Trabalhadores com baixos salários (o que resta deles) da indústria têxtil, etc., não; mas os trabalhadores privilegiados que têm emprego garantido (professores, empregados dos transportes públicos, policiais), sim. Isso também explica a onda de protestos estudantis: sua principal motivação é, sem dúvida, o medo de que a educação superior não garanta um superávit salarial mais tarde, na vida.
Ao mesmo tempo está claro que o grande renascimento de protestos no último ano, da Primavera Árabe à Europa ocidental, do Occupy Wall Street à China, da Espanha à Grécia, não deve ser descartado meramente como uma revolta da burguesia assalariada. Cada caso deve ser analisado de acordo com seus próprios méritos. Os protestos estudantis contra a reforma universitária na Grã-Bretanha são claramente diferentes dos distúrbios de agosto, que foram um carnaval consumista de destruição, uma verdadeira explosão dos excluídos.

Pode-se argumentar que os levantes no Egito começaram, em parte,  como uma revolta da burguesia assalariada (com jovens educados protestando por conta de sua falta de perspectiva), mas este foi apenas um dos aspectos de um protesto mais amplo contra um regime opressivo. Por outro lado, o protesto não mobilizou, realmente, trabalhadores mais pobres e camponeses e a vitória eleitoral dos islâmicos deixa clara a estreita base social do protesto secular original. A Grécia é um caso especial: nas últimas décadas, foi criada uma nova burguesia assalariada (especialmente na inchada administração estatal), graças à ajuda financeira da União Europeia, e os protestos, em boa parte, foram motivados pela ameaça do fim disso.

A proletarização das camadas mais baixas da burguesia casa, no oposto extremo, com a alta remuneração irracional de administradores e banqueiros do topo (irracional como demonstraram as investigações nos EUA, já que ela tende a ser inversamente proporcional ao sucesso da companhia). Ao invés de submeter essas tendências à crítica moralizante, devemos lê-las como sinais de que o sistema capitalista não é mais capaz de uma estabilidade autorregulada – em outras palavras, ele ameaça ficar fora de controle.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E o Estado não diminuiu ou como Sérgio Cabral faz para acabar com o ensino público de qualidade

Durante anos foi assim.
O despertador toca e Rosa se levanta algumas horas antes de pegar no trabalho, já que o transporte é ruim. Ele demora para passar, as vezes não passa, vem  cheio e fica sempre mais caro, numa  velocidade bem maior que o aumento do seu salário. Chega no trabalho, o sinal toca e vem gente por todos os lados. Como num passe de mágica, tudo parece estar no seu devido lugar. Salas cheias, professores nos seus postos e o dia continua. À tarde a mesma rotina e, as vezes, à noite também. E é assim com seus pares. Uma vida bem parecida.

Tudo igual, mas diferente. Alguns anos, diferente até de mais, mas no fundo, igual a todos os outros. Só que nesse ano aconteceu com ela. Nos anteriores, com os outros. Nos próximos, quem saberá?
No primeiro dia de trabalho daquele ano, fez como sempre. Acordou e saiu, manhã e tarde num trabalho, a noite em outro.  Ao chegar no da noite, recebeu a notícia de que não havia mais alunos suficientes matriculados na escola e que muitos professores, por serem da rede pública, seriam devolvidos para a secretaria (SEEDUC), para que uma escola sem professor pudesse então recebê-los. Até aí, fez todo o sentido. Não há necessidade de manter muitos professores em escolas com poucos alunos.

Rosa, preocupada com a garantia do seu sustento logo se preocupou. Como outros, que estavam na mesma situação, quis saber o que faria dali para frente. Sabia que algo não estava certo. Não precisou muito tempo para entender que a realidade a sua frente escondia algo. Primeiro, se estamos em um país com um número elevadíssimo de analfabetos e/ou pessoas com escolaridade incompleta, então como é que as escolas estavam fechando? Segundo, a escola onde trabalha tem uma população de mais de 140 mil moradores, sem contar com os que lá trabalham. São muitas escolas, ela sabe, mas as outras escolas também estavam reduzindo turmas e devolvendo seus professores, alguns trabalhavam no mesmo lugar a mais de 5 anos. Só que na mesma semana que ela  e os outros antigos funcionários, que demoraram anos para incorporar ao seu salário algumas migalhas que esse trabalho tem como plano de carreiras, foram devolvidos, uma leva de novos concursados foi convocada. Se já com anos de rede o salário é precário, imaginem quando você entra. E esses novos concursados escolheram suas escolas quando entraram. O passe de mágica começou a ser desvendado. Os antigos, alguns próximos da aposentadoria, outros no meio do caminho como ela, representam um custo maior para o Estado, enquanto os novos, bem menos. O lugar dos mais novos foi garantido primeiro, ferindo uma tradição de que os mais antigos têm prioridade na escolha da escola, em casos como esse. A sensação que Rosa tinha é que tudo a empurrava para pedir exoneração.

E o Estado não sumiu. Pelo contrário, ao longo dos últimos anos, investiu bem mais em instrumentos de controle e de gestão desse controle do que em Educação e em seus profissionais. A greve do ano passado mostrou a insatisfação de Ana e outros em relação à política da Secretaria Estadual de Educação. Assembleias lotadas revelavam a farsa de projetos feitos por gente que pensa em números, não em cidadãos, que querem diminuir custos e não investir em Educação, que priorizam empresas conhecidas e não uma agenda de mudanças reais em um Estado onde o ensino é reconhecido por todos como decadente, apesar de todo o esforço feito dentro das escolas. Esse ano, Rosa viu o Estado se apoderar totalmente das escolas. Elas perderam sua autonomia. Tudo vem de cima, controlado por sistemas de informação totalmente burocráticos e frios.

Falando em autonomia, Rosa, que perdeu suas turmas, foi convidada para participar do Projeto Autonomia (engraçado esse nome, é uma parceria com a FUNDAÇAO ROBERTO MARINHO- sim, foi isso mesmo que você leu!) que foi implementado nas escolas. Ali tem vaga. Muitos aceitaram para não desistir do emprego, para evitar ter que trabalhar em várias escolas, em dias quebrados ou até para evitar a desistência.

Rosa voltou para casa com a sensação de que é um projeto sério de acabar com o ensino público. O que ela queria  era sentir algo bem diferente. Sabe que é urgente começar agora para colher os frutos em 20 anos.

Vai demorar, minha gente. Se continuar assim, sei não. Por agora, só temos um instrumento. Ana sentia falta da greve.

sábado, 13 de agosto de 2011

A greve acabou, mas a luta continua.


Estou desde ontem, dia da assembleia que votou o término da greve, refletindo sobre essa frase, principalmente a parte “ a greve acabou”. Vamos a ela. 

A assembleia estava um pouco mais vazia do que as últimas, sim, é verdade. As pessoas estão cansadas. Também é verdade. Os alunos estão sem aulas, também. Foi melhor do que a passividade, claro. Conseguimos reajustes para animadores culturais, aposentados e funcionários, com certeza. Podemos voltar a fazer greve em fevereiro, podemos. 

Mas o que não foi considerado ao sair da greve agora, em primeiro lugar, é que houve uma clara polarização na assembléia quando foi realizada a votação para a continuidade ou não da greve. POLARIZAÇÃO CLARA, eu repito. Ou seja, muita gente ainda achava necessário e estava com disposição de continuar. A direção central do sindicato e outros profissionais da educação acharam que seria melhor interromper a greve.  Continuar por que, eles perguntavam? 

Continuar porque se olharmos para os ganhos políticos, eles não foram muitos. Ganhamos visibilidade (considero o acampamento um marco para isso, desgastamos o governo vergonhoso de Sérgio Cabral e, principalmente, nos fortalecemos internamente, já que a greve cria tempo e espaços de reflexão, diálogo e ação), mas perdemos a votação.  O que significa que ganhamos muito abaixo das nossas reivindicações, que são mais do que justas. Não estamos negociando 26% sobre um salário de 10 mil, mas 26% de míseros 760 reais. Não vou repetir o absurdo de que isso é igual (ou menor?) do que o salário de um gari, pois acredito que TODOS os trabalhadores devem receber salários dignos para a sua sobrevivência, e que não deve haver diferenças gritantes entre os salários, pois essa é a base da divisão de classes nas sociedades (essa é uma outra discussão). Entramos na greve com reivindicações que mobilizaram milhares de professores pelo estado. Viramos as costas para isso sem ter conseguido quase nada. 

Segundo, vivemos uma crise mundial desde 2008. Uma forma óbvia de garantir os lucros da elite econômica é segurando os salários e os forçando para baixo. A economia brasileira continua crescendo, a do Rio de Janeiro também. A inflação suga nossos salários, assim como as altas taxas de juros e a especulação sobre os preços de serviços e produtos, principalmente o imobiliário. Isso vai continuar. Não precisa ser nenhum gênio para enxergar essa situação. É assim que sistemas capitalistas reagem. Tem acontecido em várias partes do mundo. Aqui, com uma elite despreocupada com transformações sociais, não será diferente. A educação definitivamente não é uma prioridade para esse governo.

Terceiro, aceitar sair da greve um dia após a  vergonhosa votação  na ALERJ (ver nota abaixo) passa uma mensagem de que vamos aceitar o pouco que vier, do tipo “o que vier é lucro”. Não, não foi para isso que parei. Parei para mostrar que a situação dos profissionais da educação está insustentável na sua exploração. Professores exaustos, pulando de escola em escola, abrindo mão do seu tempo livre para exercer a sua profissão e levar uma vida digna. Enquanto isso, vemos contratos milionários com empresas sendo realizados a toque de caixa para garantir uma fatia do bolo da nossa receita para os grandes empresários. Estamos em época de Copa e Olimpíadas, de muitas obras, de muitos crimes, de mais arrocho. Arrocho que vai continuar. E nós concordamos com ele. Saímos da greve aceitando uma migalha. Acumulamos perdas salariais de mais de 60% nos últimos anos. Erramos ao reivindicar 26% e nos afundamos aceitando 5%. É uma tentativa clara de acabar com a educação pública de qualidade. De enfraquecer ainda mais a educação que chega às classes trabalhadoras. Nosso papel enquanto educador é não só mostrar isso, mas atuar de forma a transformar essa realidade.

A luta continua. Claro. Só a luta de classes vai trazer alguma melhora para a classe trabalhadora. Ou você acha que ela vai cair do céu?
Parabéns aos que lutaram. A luta já é uma vitória. 

Nota do Blog pó de giz e relacao dos deputados estaduais que votaram contra as propostas da educação   
Alerj aprovou antecipação de duas parcelas do Nova Escola e reajuste de 5%

Os deputados acabam de aprovar o Projeto de Lei 677/2011, que altera a mensagem 34 enviada pelo governo Cabral para votação no plenário da Alerj. No Projeto que acaba de ser aprovado, com as emendas feitas na mensagem enviada pelo governador, a rede estadual terá antecipadas duas parcelas do Nova Escola, referentes aos anos de 2012 e 2013, além de um reajuste salarial de 5% (este reajuste também foi aprovado para a Faetc em outro projeto, o nº 679). As emendas do Sepe de reajuste salarial de 26% e de incorporação total do Nova Escola foram reprovadas.

Os funcionários tiveram os seguintes ganhos na mesma mensagem: foram aprovadas a incorporação total do Nova Escola, o descongelamento do Plano de Carreira específico e 8% entre os níveis – as emendas do Sepe que estipulam 30 horas para os funcionários e o enquadramento por formação não passaram.

Os animadores culturais tiveram seus vencimentos reajustados também em 5%, além de receberem as antecipações do Nova Escola.


 VALEU
 "REPRESENTANTES DO POVO"!

Votaram “NÃO” os Senhores Deputados:

Alessandro Calazans,
 Alexandre Correa,
 André Ceciliano,
André Correa,
André Lazoroni,
Andréia Busatto,
Átila Nunes,
Bebeto,
Bernardo Rossi,
Chiquinho da Mangueira,
Coronel Jairo,
Dionísio Lins,
Domingos Brazão,
Edson Albertassi,
Fabio Silva,
Geraldo Moreira,
Graça Matos,
 Graça Pereira,
 Gustavo Tutuca,
Iranildo Campos,
Janio dos Santos Mendes,
 João Peixoto,
Luiz Martins,
Marcus Vinicius,
 Myriam Rios,
Paulo Melo,
Rafael do Gordo,
Rafael Picciani,
Ricardo Abrão,
Roberto Henriques,
Rosângela Gomes,
Samuel Malafaia,
Waguinho
  Xandrinho.

Votaram 52 Senhores Deputados:

34 “NÃO”
8 “SIM”
Abstenção: 0.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Assembleia decide: a greve continua 3/08/2011

Em assembleia na Fundição Progresso, na Lapa, os profissionais de educação das escolas estaduais decidiram continuar a greve. Na assembleia, a categoria considerou insatisfatórias as propostas do governador Cabral enviadas à Alerj esta semana. A categoria também decidiu manter o acampamento em frente à Seeduc; nova assembleia será feita na terça-feira, dia 9, às 14h, nas escadarias da Alerj.

Em reunião com a direção do Sepe na segunda (dia 1), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Paulo Mello, afirmou aos diretores do sindicato que "vai interceder pessoalmente para melhorar a proposta. O governador dividiu suas propostas em duas mensagens: a Mensagem nº 34 do governador tem os seguintes itens: antecipa a parcela 2012 do Nova Escola para os professores, incorpora na totalidade a gratificação Nova Escola para os funcionários (retroativo a julho), reajusta em 3,5% os salários dos professores (pagamento em setembro) e descongela o Plano de Carreira (Lei nº 1348) dos funcionários, passando o piso para o salário mínimo. Já a mensagem nº 35 cria o cargo de Professor de 30 horas, já com a adaptação às regras federais (20 tempos em sala e 10 de estudo e planejamento).

Entre as principais reivindicações da categoria está a incorporação imediata da gratificação Nova Escola, pois qualquer reajuste linear feito sem essa incorporação total é uma antecipação menor disfarçada, como ocorre agora com a proposta do governo: como os profissionais de educação terão pendentes parcelas da incorporação da gratificação Nova Escola até 2014, mesmo com os 3,5% propostos pelo governo e aplicados em 2011, os valores dos salários de 2012 a 2014 continuarão os mesmos de antes deste pequeno reajuste, como a própria tabela do governo mostra. Repare na tabela que o Sepe disponibiliza no site que o valor final do Nova Escola, em 2014, no nível 3, por exemplo (e em todos os níveis), continua igual (R$ 954,11), mesmo com o reajuste de 3,5% em 2011 - clique aqui para ver a tabela do Sepe, que também simula 3,5% de reajuste no valor total do Nova Escola.

Como a tabela comprova, o reajuste de 3,5% incide apenas no salário de 2011 dos professores, já que os valores divulgados pelo governo dos salários de 2012 a 2014, quando terminaria a incorporação do Nova Escola, continuam os mesmo de antes do reajuste! Assim, o que o governo chama de "reajuste" em 2011 é, na verdade, uma pequena antecipação. Cabe ao governo do estado explicar melhor sua proposta


http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=2373

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Professores em greve no Rio de Janeiro continuam acampados

 

Os trabalhadores da educação do Rio de Janeiro têm dado um exemplo de resistência a um modelo político que desconsidera totalmente a educação pública e de qualidade. Pararam e estão acampados na porta da secretaria de educação exigindo uma negociação digna.

É como se não desse mais para aguentar. 
A precarização do trabalho está atingindo níveis realmente intoleráveis. 

O que mais assusta é que estamos no fundo do poço na rede estadual. Quando entrei como professora da rede, fiquei realmente impressionada com a força dos que movimentam aqueles espaços, as escolas. É nítido que o que tem sido feito pelos órgãos governamentais, tem como claro objetivo acabar com a educação de qualidade para o povo. E que você desista, de diversas formas, trocando a rede por um outro trabalho ou fazendo o mínimo possível ali dentro para não acabar com o pouco de energia que te sobrou de uma semana inteira de trabalho em diferentes lugares.
Mas a gente não desistiu e está aí mostrando que a educação tem que ser prioridade. E sem a valorização dos seus trabalhadores, a gente não avança. Tem que começar por aí. E esse governo mostra a cada dia que a educação não é a sua prioridade. Fora Sérgio Cabral!

domingo, 24 de julho de 2011

Escola não é fábrica, aluno não é mercadoria e educação não é negócio

Essas três frases resumem bem parte da realidade da Educação no estado do Rio de Janeiro. Refletir sobre elas pode trazer um melhor entendimento do que tem acontecido hoje nas nossas escolas públicas.

Quando dizemos que a escola não é fábrica, a crítica recai sobre a lógica produtivista por trás das medidas que norteiam a educação, como o atual Plano de Metas do Governo do Estado do Rio de Janeiro, tão criticado pelos profissionais da educação. Para mais informações sobre ele, sugiro a leitura do texto
http://www.uff.br/observatoriojovem/materia/plano-de-metas-da-educa%C3%A7%C3%A3o-do-rio-de-janeiro-do-economicismo-ao-cinismo

Mas vai além. São vários os sentidos dessa frase.

Ela definitivamente não é usada para criticar o ofício do operário em uma fábrica, mas a sua condição de alienação no trabalho devido às condições impostas pela acumulação do capital a partir da extração de mais valia do trabalhador. Ou seja, professores (assim como os operários) são submetidos a longas jornadas de trabalho, que podem ser repetitivas, devido a quantidade de alunos e turmas (imaginem corrigir provas/ trabalhos/ avaliações de 400 alunos por bimestre e ao mesmo tempo preparar aula e dar aula em diversas escolas?) e, pela falta de tempo, dissociam o trabalho cotidiano de uma reflexão sobre sua prática para garantir sua sobrevivência. Sua hora-aula é baixíssima. Isso garante menos investimento em educação por parte dos governos, e mais gastos em obras desnecessárias, por exemplo. A lógica da fábrica capitalista é produzir mais por menos. Escola é outra coisa.

ALUNO NÃO É MERCADORIA
Assim, o aluno se torna uma mercadoria (a mercadoria é um produto do trabalho) e não é visto como gente, que tem, no seu processo de formação, necessidades e especificidades diferentes da produção de uma televisão, geladeira ou cadeira. Ele é visto como um número, uma meta.

Para a secretaria de educação, a preocupação são os números, principalmente os índices que medem a qualidade da educação, como o IDEB. Assim, todas as tentativas de mudança do sistema educacional são em vão, pois desconsideram as opiniões e reinvidicações dos profissionais de educação. Educação de qualidade para todos não faz parte dos Planos desse governo, principalmente porque um plano para dar certo, tem que ser construído coletivamente. E não é isso que vem acontecendo.
Ou seja, o fetichismo da mercadoria de Marx, que corresponde a tentarmos ir além da aparência do momento da troca de mercadorias, e passarmos para o processo da sua produção para entender o que há por trás da mercadoria, pode ser um paralelo para refletir sobre o fetichismo das notas.

Atualmente, o governo tenta culpar professores pelas baixas notas dos alunos. Seu plano é o de incentivar o “bom professor”, dando a ele um salário diferenciado (como já acontecia com o Nova Escola), estabelecendo metas por escola. Para quem lida diretamente nas escolas, fica mais do que claro que a educação não vai mal por causa dos professores, mas sim, pelas as condições em que esses profissionais trabalham.

PROFESSOR TAMBÉM NÃO É MERCADORIA
O professor, que tem sua força de trabalho vendida, como todos os outros trabalhadores, tem sido duramente penalizado nos últimos anos. O valor da sua força de trabalho é determinado, como o de qualquer outra mercadoria, pelo tempo de trabalho necessário a sua reprodução e, para manter-se, precisa de certa soma de meios de subsistência (já dizia o bom e velho Marx). Ou seja, se Rio de Janeiro tem aparecido na mídia local e internacional como uma das cidades mais caras do mundo para se viver, isso significa que a soma dos meios de subsistência aumentou! Tem ficado mais cara a reprodução do trabalhador nessa cidade. Soma-se a isso, o crescimento da economia local, o que mostra que os salários devem e podem aumentar, uma vez que há verba para isso. Falta um plano sério para a Educação, que passa também pela valorização dos seus profissionais.

EDUCAÇÃO NÃO É NEGÓCIO
Não é algo que deve ser produzido pensando em fazer lucro, na produtividade, na concorrência e eficiência. Não deve ser pensada apenas através da lógica do custo- benefício, mas sim, na emancipação. Deve fazer parte de um projeto de nação que priorize a vida, a cooperação, o coletivo e a superação das nossas violentas desigualdades sociais. Acima de tudo, educação é um direito.

Infelizmente, o Estado está tomado pela lógica dos negócios. Enquanto for assim, é luta de classes, não tem jeito. E a greve é um dos instrumentos legítimos dessa luta. Estamos nela e vamos até o fim.

Pela valorização dos profissionais da educação e por transformações significativas na nossa condição atual.

Um projeto de nação mais justa passa pela valorização da educação.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Assembleia, ato e acampamento na ALERJ 12/07

É isso.

Momento decisivo para a mobilização dos profissionais da educação. Amanhã tem ato, assembleia e depois vigilia na ALERJ. Que a gente consiga trazer a educação para o centro de um projeto de nação novamente. Até amanhã.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

SEEDUC tenta mascarar boicote da categoria ao SAERJ reaplicando a mesma prova hoje

Essa secretaria de Educação do Rio de Janeiro é uma piada.

O Sepe está recebendo uma série de reclamações de escolas estaduais que denunciam a tentativa da SEEDUC de obrigar as unidades a reaplicar a prova do SAERJ hoje (dia 30/6), depois do fracasso de ontem (dia 29/6), quando a categoria promoveu um grande boicote à avaliação programada pelo governo do estado. Segundo informações da categoria, as avaliações de hoje são as mesmas de ontem, ou seja, seus gabaritos já foram revelados, o que configura uma verdadeira fraude. O Sepe continua recomendando que as escolas adotem a decisão da assembléia da rede estadual para que a categoria não aplique qualquer avaliação do Programa de Metas e não aceite a pressão da secretaria ou das coordenadorias.

É por isso que faço greve.

Profissão: professora.

Pela manhã, rede particular. À tarde corre, pega condução para chegar a tempo de alguma coisa da assembléia da rede estadual de ensino. Encontro de pessoas na mesma luta, antigo e novos companheiros. Na assembléia, em um ginásio lotado, o clima é de mobilização. Na frente, organizando o movimento, as mesmas pessoas. Hoje até que foi mais diversificado, como um movimento de descentralização das ações do sindicato. Ótimo, assim agrega mais gente. Pode ser mais demorado, mais trabalhoso, mas é certamente mais rico. Não só como uma experiência política, mas pelo alcance das ações. E envolve, faz mais sentido para quem participa.

A dinâmica é mais ou menos a mesma nas assembleias. Hoje decidimos que quem se inscreve, fala. Não pode passar a vez para a direção do sindicato, como tem acontecido. Uma vitória. Inscrição para passar a vez não funciona. Perde todo o sentido da assembleia enquanto espaço de decisão coletiva. Hoje foi diferente. Que vire tradição. Do outro jeito enfraquece. Pode até dar mais agilidade para o sindicato, mas afasta. E sindicato vazio não vai para frente.

Dessa vez foi difícil ouvir as falas, o som estava baixo e era uma falação só no entorno. Trocas de informação sobre a movimentação da greve em outros lugares. Hoje, dia de aplicação do SAERJINHO, prova do governo, os relatos foram de tensão entre o movimento e as direções. E aiinda tinha o turno da noite para acontecer.

Decidimos por continuar a greve e fazer uma nova assembléia com ato na 3ª que vem. Ô, a educação parou! Em coro, todos cantavam.

No turno da noite, em algumas das escolas abertas, teve panfletagem contra a realização da prova. A maioria dos alunos apoia. Uns, curiosos, querem mais informações sobre a greve,  outros mostram total solidariedade ao movimento e indignação com o que eles chamaram de "divisão na classe".

 Infelizmente, alguns alunos sofreram pressão psicológica por parte das direções e representantes das secretarias de educação que chegaram a dizer que boicotar a prova ajudaria a fechar a escola (já que as escolas compartilhadas do turno da noite estão ameaçadas) e que o diploma deles (pasmem!) estaria atrelado a realização da prova, numa tentativa de colocar alunos contra o movimento de greve. 

Uma total inversão dos fatos apresentada pela direção, uma vez que é esse secretaria que quer fechar as escolas, que não incentiva e não valoriza os profissionais de educação e que faz péssimo uso do orçamento é que deve ser questionada, e não profissionais da educação e alunos que lutam pela manutenção da escola pública e de qualidade.

Já ficou muito claro que a prioridade desse governo não é com a educação. Com campanha financiada por grandes empresas, a gente só pode exigir financiamento público de campanha já! Ou então vai ficar nesse faroeste político do cada um por si e o povo que se vire. É por isso que eu também faço greve.

A greve continua. Cabral, a culpa é sua!

Para saber mais sobre o SAERJ

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A educação estadual do RJ tem fome. A greve continua!

Greve nas escolas estaduais continua – assembleia de professores e funcionários acaba de decidir

Milhares de profissionais das escolas estaduais decidiram há pouco em assembleia no Clube Municipal, na Tijuca, continuar a greve da categoria. A greve começou dia 7 de junho e até hoje o governo não fez uma contraproposta às principais reivindicações da categoria, que são: reajuste emergencial de 26%; incorporação imediata da gratificação do Nova Escola (prevista para terminar somente em 2015); descongelamento do Plano de Carreira dos Funcionários Administrativos.

Na sexta-feira, dia 1 de julho, os profissionais de educação irão até o supermercado Mundial, na Rua do Riachuelo, no Bairro de Fátima, Centro do Rio, para comprar alimentos com o “Cartão Educação”. Com este cartão, o professor regente (o que trabalha em sala de aula) pode gastar R$ 500,00 por ano em compras diversas. O cartão não é oferecido aos funcionários nem aposentados. O protesto vai mostrar que o profissional de educação precisa com urgência de um reajuste salarial digno e o que o estado oferece hoje, incluindo o cartão, não dá para sobreviver com dignidade – por isso mesmo, o nome do protesto será: “A Educação estadual do Rio tem fome”.

Na terça-feira, dia 5, a categoria realiza uma passeata até o Palácio Guanabara, com concentração no Largo do Machado a partir das 9h, para exigir uma audiência com o governador Cabral – em seguida à passeata, ocorrerá assembleia no clube Hebraica.

Leia o calendário da greve:

30 de junho (quinta): panfletagem nas escolas;

01 de julho (sexta): protesto “A Educação tem fome” – os profissionais de educação irão até o supermercado Mundial, na Rua do Riachuelo nº 192/194, Centro do Rio, às 10h, para comprar alimentos com o “Cartão Educação”. Por este cartão, o professor regente pode gastar R$ 500,00 por ano em compras. O cartão não é oferecido aos funcionários nem aposentados. O protesto vai mostrar que o profissional de educação precisa com urgência de um reajuste salaria digno;

04/07 (segunda): Assembleias da categoria nos municípios e bairros da capital;

05/07 (terça): marcha até o Palácio Guanabara, com concentração no Largo do Machado, às 9h. Logo após a marcha, ocorrerá assembleia no Clube Hebraica (Rua das Laranjeiras, nº 346).

Justiça analisa pedido de liminar do Sepe contra o corte do ponto:

Na terça-feira, dia 28, a 3ª Vara da Justiça da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio realizou uma primeira audiência para analisar o pedido de liminar do Sepe contra o corte do ponto dos profissionais de educação do estado, em greve desde o dia 7 de junho. Todas as partes foram convocadas para a audiência, mas os secretários de governo não compareceram. Apenas a Procuradoria do Estado compareceu. Com isso, uma nova audiência foi marcada para a próxima segunda, no dia 4 de julho. Para esta nova audiência, o juiz titular da 3ª Vara, Plínio Pinto Coelho Filho, convocou em caráter de urgência os secretários de Planejamento e Educação.

No Tribunal, o Sepe defendeu o pedido de liminar em cima do direito de greve do funcionário público e da falta de reajuste anual por parte do governo. O sindicato falou também das más condições de trabalho e dos baixos salários da rede estadual, que levaram os profissionais de educação à greve; a falta de professores na rede também foi destacada na audiência - esta uma consequencia direta dos poucos atrativos para o exercício da profissão em nosso estado, que, mesmo sendo o segundo mais rico do país, tem um dos pisos salariais mais baixos para o professor, além de péssimos índices nas avaliações federais.

Já no dia 22 de junho, ocorreu uma audiência com o governo, que contou com a presença dos secretários de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Resende e de Educação, Wilson Risolia. Na reunião, o governo se comprometeu a apresentar uma resposta até o dia 15 de julho às principais reivindicações salariais da categoria.

http://www.seperj.org.br/

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Manifesto em apoio aos professores em greve

 Por Eliomar Coelho, vereador do RJ

http://www.eliomar.com.br/2011/06/27/manifesto-em-apoio-aos-professores-em-greve/

Após infrutíferas tentativas de negociação, que se arrastam por anos, os profissionais da educação do Estado do Rio de Janeiro, em concorrida Assembléia, realizada no dia 7 de junho de 2011, decidiram deflagrar greve. Atualmente, um professor graduado recebe R$ 750,00 brutos e um funcionário tem piso de 433,00. Somente em 2011, 2,4 mil professores pediram exoneração por completa falta de perspectiva de valorização profissional. A questão afeta a formação de novos professores nas universidades, pois, concretamente, muitos avaliam que a opção pela educação pública implica privações econômicas insuportáveis. As principais reivindicações da greve objetivam criar um patamar mínimo para que a escola pública estadual possa ser reconstruída: reajuste de 26%, incorporação da gratificação do “Nova Escola”, liberação de 1/3 da jornada de trabalho para preparação de aulas, atendimento a estudantes, participação em reuniões etc., eleições diretas nas escolas e melhoria da infraestrutura geral da rede.
Compreendemos que a greve não é episódica e conjuntural. Ao contrário, está inscrita em um escopo muito mais amplo: objetiva sensibilizar a sociedade brasileira para uma das mais cruciais questões políticas não resolvidas da formação social brasileira: o reduzido montante de recursos estatais para a educação pública acarretando um quadro de sucateamento da rede pública e a paulatina transferência de atribuições do Estado para o mercado, por meio de parcerias público-privadas.
Interesses particularistas de sindicatos patronais, de corporações da mídia, do agronegócio e, sobretudo, do setor financeiro arvoram-se o direito de educar a juventude brasileira. Para montar máquinas partidárias, diversos governos abrem as escolas à uma miríade de seitas religiosas retrocedendo no valor da escola laica.
Estamos cientes de que não é um exagero afirmar que o futuro da escola pública está em questão. A luta dos trabalhadores da educação do Rio de Janeiro é generosa, resgata valores fundacionais para uma sociedade democrática e, por isso, nos solidarizamos, fortemente, com a luta em curso. Os recursos existem, desde que a educação seja uma prioridade. Por isso, instamos o governador Sérgio Cabral a negociar de modo verdadeiro com o SEPE, objetivando resolver a referida agenda mínima e a restabelecer o diálogo com os educadores comprometidos com a educação pública, não mercantil, capaz de contribuir para a formação integral das crianças e dos jovens do Estado do Rio de Janeiro.

Assine  aqui  a petição manifesto em defesa da educação pública e em solidariedade a luta dos profissionais de educação do Rio de Janeiro

terça-feira, 14 de junho de 2011

Senhoras e senhores, a greve na Educação Estadual continua.

Milhares de profissionais das escolas estaduais decidiram em assembleia no Clube Municipal, na Tijuca, hoje (14) à tarde continuar a greve da categoria. Como o governo não acenou com nenhuma contraproposta às reivindicações, os profissionais de educação estaduais não recuaram e decidiram pela continuação da greve, agora com mais de uma semana de duração, tendo sido iniciada dia 7.

A estimativa da assembleia é que a mobilização aumentou e já atinge 70% dos profissionais. Na sexta-feira, dia 17, a categoria realiza uma passeata da Candelária até a sede da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag), às 10h. A próxima assembleia será segunda-feira, dia 20, às 14h, em local a confirmar – o sindicato espera que o governo faça uma contraproposta até esta data. Eis as principais reivindicações da educação do estado:

Reajuste emergencial de 26% - o piso salarial hoje é R$ 610,00;

2) Incorporação imediata da totalidade da gratificação do Nova Escola (prevista para terminar somente em 2015);

3) Descongelamento do Plano de Carreira dos Funcionários Administrativos da educação estadual, entre outras reivindicações.

No dia 9, a partir de iniciativa do sindicato, ocorreu uma audiência com o secretário estadual de Educação Wilson Risolia. Ele informou, no entanto, que somente no segundo semestre é que o governo poderá falar alguma coisa sobre reajuste salarial. Para o Sepe, o governo vem tratando com descaso todos os pleitos salariais desde o início do primeiro mandato do governador Sérgio Cabral, em 2007. Ou seja, o culpado por uma greve longa será o governador.

Na primeira semana do movimento ocorreram diversas manifestações, incluindo uma grande passeata no Centro do Rio, dia 10, quando cerca de três mil professores, funcionários e alunos caminharam da Candelária à Alerj, onde se encontraram com os bombeiros em greve; já no dia 12 categoria participou da passeata convocada pelos bombeiros, que juntou dezenas de milhares de pessoas na orla de Copacabana.

www.sepe.org.br

terça-feira, 7 de junho de 2011

Rede estadual decide entrar em greve por tempo indeterminado

Em assembléia que reuniu mais de dois mil profissionais no Clube Municipal, os profissionais de educação das escolas estaduais decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A falta de disposição do governo estadual em negociar e atender as reivindicações dos professores e funcionários das escolas estaduais foi o principal motivo para a decisão da categoria entrar em greve. Outro fator que revoltou a categoria foi o tratamento repressivo dispensado pelo governo estadual contra a mobilização dos bombeiros que participaram das manifestações no Centro do Rio na sexta-feira, que resultou na invasão do Quartel General da corporação por tropas de elite e na prisão de mais de 400 manifestantes, além de ferimentos em familiares que participavam do ato.

Na quinta-feira (dia 9 de junho), os profissionais de educação, irão se unir aos bombeiros do Rio de Janeiro e fazer um ato nas escadarias da Alerj, a partir das 16h, para pressionar os deputados estaduais a intercederem junto ao governo do estado, com objetivo de reabrir as negociações em torno das reivindicações das duas categorias. Na sexta-feira, a partir das 13h, o Sepe, bombeiros e outras categorias do funcionalismo estadual farão uma passeata da Candelária até a Alerj.

No domingo, novamente os profissionais de educação, bombeiros e servidores do estado farão uma passeata na Avenida Atlântica, com concentração a partir das 10h, na esquina da Avenida Princesa Isabel com Avenida Atlântica.

A próxima assembléia da rede estadual será realizada na terça-feira (dia 14 de julho) no Clube Municipal na Tijuca, a partir das 14h. Neste encontro, a categoria irá decidir os rumos da greve.

A categoria reivindica do governador Sérgio Cabral o seguinte:

1) um reajuste emergencial de 26%;

2) a incorporação imediata da totalidade da gratificação do Nova Escola (prevista para terminar somente em 2015);

3) o descongelamento do Plano de Carreira dos Funcionários Administrativos da educação estadual, entre outras reivindicações.

Veja o calendário da greve na rede estadual:

dias 8 e 9 de junho - reuniões nas escolas com a comunidade escolar para que a categoria explique os motivos da greve;

dia 10 de junho (sexta-feira): Capital e Grande Rio: ato na Alerj, em conjunto com bombeiros e outros segmentos do serviço público estadual, a partir das 16, para pressionar os deputados a intercederem para que o governo abra negociações;

dia 11 de junho (sábado): panfletagens descentralizadas de núcleos e regionais na parte da manhã, explicando os motivos da greve para a população;

dia 12 de junho (domingo): às 10h, esquina da AVenida Princesa Isabel com Atlântica: concentração para uma passeta conjunta com bombeiros e demais segmentos do funcionalismo até o Posto 6.

dia 13 de junho (segunda-feira): Assembléias locais em núcleos e regionais;

dia 14 de junho (terça-feira): Assembléia geral da rede estadual, às 14h, no Clube Municipal (Rua Haddock Lobo 359 - tijuca) para decidir os rumos da greve.


http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=2080